terça-feira, 29 de setembro de 2020

 

Babilonia - J. G. Bellett

A Babilônia mística de Apocalipse pode ser apresentada ostentando um Cristo crucificado e, ainda assim, ser Babilônia. Pois o que vem a ser ela, do modo como é esboçada pelo Espírito? Trata-se de algo mundano em seu caráter, na mesma medida em que é abominável e idólatra em doutrina e prática. Apocalipse 18 nos dá uma visão de Babilônia em seu mundanismo, porém no capítulo 17 ela é vista em sua idolatria.

A Babilônia da antiguidade, na terra da Caldeia, era repleta de ídolos e culpada do sangue ou do padecimento dos justos. Porém ela tinha também esta marca: demonstrava grandeza neste mundo, numa época de depressão para Jerusalém. O mesmo sucede com a Babilônia mística. Ela tem em seu seio suas abominações, e o sangue dos mártires de Jesus a mancha. Mas muito mais que isto, ela é revelada como grande, esplêndida e alegre neste mundo em uma época de rejeição a Cristo. Ela é importante neste mundo em um período em que o juízo de Deus está sendo preparado para cair sobre ele. Ela consegue glorificar-se a si própria e viver em luxúria em um lugar corrompido. Isto não quer dizer que ela ignore abertamente a cruz de Cristo. Ela não é pagã. Ela pode anunciar o Cristo crucificado, mas se recusa a conhecer o Cristo rejeitado. Ela não O acompanha em Suas provações. Os reis e mercadores da terra são seus amigos, e os habitantes da terra lhe estão sujeitos.

Acaso não é a rejeição de Cristo aquilo de que ela escarnece? Certamente que sim. O pensamento do Espírito acerca dela é: ela é exaltada no mundo enquanto o testemunho de Deus é rejeitado, e ela se coloca em posição de desafio, pois está ciente do que está fazendo.

A Babilônia da antiguidade conhecia bem a desolação de Jerusalém. A cristandade conhece exteriormente a cruz de Jesus e a anuncia. A Babilônia da antiguidade era muito insolente em seu desafio à dor de Sião. Ela fez com que os cativos de Sião contribuíssem para sua grandeza e deleites. Nabucodonosor procedeu assim com os jovens cativos, e Belsazar fez o mesmo com os vasos capturados.

Assim era Babilônia, e a cristandade encontra-se no mesmo espírito. A cristandade é aquilo que glorifica a si própria e vive confortavelmente neste mundo, negociando em tudo aquilo que é desejável, valioso e estimado neste mundo, fazendo-o bem diante da dor e rejeição daquilo que é de Deus. A cristandade se esquece, na prática, que Cristo foi rejeitado neste mundo.

O poder Medo-Persa é outra criatura. Ele remove a Babilônia mas exalta a si próprio (Daniel 6). É esta a ação da "besta" e de seus dez reis. A mulher, a Babilônia mística, é removida pelos dez reis, mas estes entregam, então, o seu poder à besta que se exalta (como fez Dario, o Medo) acima de tudo o que é chamado Deus ou que é adorado. É esse o desfecho, o ponto culminante na cena da apostasia mundial, mas ainda não chegamos lá. Nosso conflito é com a Babilônia e não com os Medos; é com aquilo que vive em luxúria e honra durante a era de ruína de Jerusalém, isto é, da rejeição de Cristo. - John Gifford Bellet (1795–1864)
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

 

Os dois inquilinos - A. T. Schofield

Suponhamos que um senhorio tenha alugado sua casa a um mau inquilino, que bebe, joga, pragueja e seja uma desgraça para a vizinhança, além de nunca pagar o aluguel. Por fim, o senhorio perdoa todos os aluguéis atrasados e coloca na casa um novo inquilino - tranquilo, respeitável, trabalhador, e com autoridade suficiente para manter o mau inquilino quieto em um dos aposentos da casa. Ele nunca deverá permitir que o mau inquilino tome o domínio da casa, e jamais deixará que ele abra a porta.

Esta é uma figura um pouco grotesca de um cristão. Seu corpo é a casa; sua velha natureza é o mau inquilino; sua nova natureza é o bom inquilino, e Deus é o proprietário do imóvel, pois nosso corpo não é nosso, mas do Senhor. Não moramos em casa própria, por assim dizer, mas somos meros inquilinos - uma verdade solene e frequentemente esquecida.

Surge, então, uma dificuldade. O mau inquilino é um velho muito forte; o novo inquilino é um jovem ainda fraco. Embora ele tenha completa autoridade, ele não tem poder para cumprir o desejo do proprietário da casa. Ele clama por auxílio e o proprietário envia um forte amigo, de sua própria casa, para ajudar o novo inquilino a subjugar o velho inquilino e mantê-lo sob custódia.

O amigo forte é o Espírito Santo, "para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior" (Ef 3.16 Almeida Versão Atualizada). É por isso que com frequência lemos acerca dEle subjugando o velho inquilino ao invés do novo inquilino fazê-lo. Devemos, evidentemente, entender que esse amigo nunca interfere, a menos que o novo inquilino o deseje (veja Gálatas 5.17,25).

Suponhamos que eu convide alguns amigos para virem a essa casa e passarem uma noite agradável com meu velho amigo que mora ali. Eu ouvi dizer que aconteceram algumas mudanças naquela casa, mas não sei exatamente o que aconteceu. A porta é aberta pelo velho inquilino, mas ele está com uma aparência intimidada. Quando eu lhe digo a respeito da razão de minha vinda, ele diz, "Bem, evidentemente eu gostaria de convidá-lo a entrar, mas não posso fazê-lo pois o novo inquilino não gostaria. Você compreende, agora é ele o responsável por esta casa perante o proprietário, e ele é muito exigente quanto a mantê-la em ordem e em silêncio. Eu só vim atender porque ele está dormindo, mas se houver qualquer barulho na casa ele logo me trancará novamente".

Fica evidente, neste caso, que fui atendido pela mesma pessoa que conhecia há tempos, com a única diferença que ele teve seus aluguéis perdoados e que há agora um novo inquilino na casa, do qual ele tem medo.

Suponhamos, agora, que eu volte depois de alguns meses para tentar induzir meu velho amigo a sair e passar uma noite divertida junto comigo. Está bem escuro quando eu bato à porta, portanto não posso ver quem vem abri-la, mas supondo que seja meu velho amigo, eu digo:

- Venha ao teatro comigo.

- Eu nunca vou lá - é a resposta que ouço.

- Eu sei - digo eu - é porque você agora tem medo.

- Não, eu não estou com medo; acontece que não ligo para isso.

- Deixa disso - digo eu - não aceito tal desculpa; eu sei que você gosta, e muito, mas você está com medo do novo inquilino.

- Eu sou o novo inquilino - é a resposta que ouço.

Neste caso, não estou diante do velho homem com seu aluguel perdoado, mas de um homem completamente novo, respondendo às minhas perguntas e declarando que não liga para os prazeres mundanos. Trata-se, aqui, de algo novo, mas é esta também a verdadeira posição do cristão: ele deve sempre deixar que sua nova natureza, e nunca a velha, atenda à porta.

Vamos supor agora que eu continue a bater à porta por alguns meses, e receba invariavelmente a mesma resposta. Não seria surpresa eu pensar que o velho inquilino tivesse morrido, pois ele nunca atende à porta. Assim é ele, ao menos naquilo que diz respeito ao aspecto visível da sua existência. O novo inquilino, no entanto, poderia me contar das muitas tentativas que o velho homem faz para escapar de seu confinamento, quando nada exceto a força do amigo pode evitar que ele se mostre tão mau como sempre foi. [ A. T. Schofield ]
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

sábado, 26 de setembro de 2020

 

A responsabilidade do cristão perante o mundo

Disse Jesus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura." Marcos 16.15. Que maravilhoso é, para os crentes, saberem que seus pecados estão perdoados e que possuem um lar nos céus, que lhes foi preparado por seu Salvador, o Senhor Jesus Cristo! E que esperança maravilhosa temos por saber que a qualquer momento poderemos escutar o chamado e sermos levados deste mundo para encontrar o Senhor nos ares -- para estarmos para sempre com Ele, que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós! (1 Ts 4.16,17).

Mas por que Deus preferiu nos deixar aqui ao invés de nos levar para o céu no momento em que fomos salvos? Acaso não somos deixados aqui para representar Cristo neste mundo onde Ele foi rejeitado e de onde foi lançado fora? Somos deixados para adorá-Lo e glorificá-Lo. Deixados para brilhar como luzeiros, e sermos Seus embaixadores enquanto aguardamos por Seu retorno muito em breve. Acaso não nos deu Ele uma mensagem para ser anunciada às almas preciosas que Ele tanto ama? E será que não somos responsáveis em sair ao encontro delas com esta mensagem de salvação que tanto necessitam?

Muitos estão se dirigindo rumo a uma eternidade de perdição no inferno! Devemos, como crentes, ficar indiferentes às necessidades daqueles que nos cercam? Se uma criança estivesse para atravessar uma rua movimentada, com toda certeza nós tentaríamos salvá-la! Se a casa de nosso vizinho estivesse em chamas e ele dormisse em seu interior, não procuraríamos avisá-lo do perigo? E, no entanto, muitos de nossos vizinhos e amigos correm um perigo ainda muito maior do que se estivessem no interior de uma casa em chamas: estão dormindo em seus pecados, e correm o perigo de perder suas almas eternamente! É, portanto, nossa responsabilidade avisá-los de sua condição! O apóstolo Paulo até mesmo dizia: "Ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1 Co 9.16). E também: "Sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens" (2 Co 5.11).

Não é apenas uma responsabilidade do cristão divulgar o evangelho, mas é um privilégio que deveria ser motivado pelo amor para com Cristo. "O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14). Se realmente temos um amor genuíno por Cristo e se nossos corações estão verdadeiramente motivados por Ele, não seremos capazes de ficar sem sair em busca dos outros, seja de uma maneira ou de outra. Pedro e João podiam dizer: "Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido" (At 4.20). Se já estivemos com o Senhor e desfrutamos da Sua presença, nossos corações se transbordarão para com aqueles que nos cercam. Jesus disse aos Seus discípulos: "E vós também testificareis, pois estivestes comigo..." (Jo 15.27).

É maravilhoso usufruirmos, para nós mesmos, das benditas verdades das Escrituras, mas compartilhemos também com os outros, em amor, aquilo que temos, para não estagnarmos em nossa vida cristã. O Mar Morto é morto porque não tem saída. Ele sempre recebe mas nunca dá. Ele não transborda para formar nem mesmo um pequeno córrego que traga algum proveito ao deserto ao seu redor. De graça recebemos. Vamos dar de graça também! Que o Senhor nos auxilie a sermos sensibilizados pela necessidade daqueles que se encontram perdidos e perecendo ao nosso redor. Que possamos despertar e entender a verdade expressa em 2 Reis 7.9"Este dia é dia de boas novas!"

O tempo é curto. A vinda do Senhor está próxima! Breve o dia da graça terminará e não haverá mais oportunidades de falarmos de Cristo ou sentirmos compaixão pelas almas perdidas que estão ao nosso redor. Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis na responsabilidade que Ele entregou a cada um de nós, a fim de podermos desfrutar do gozo de ouvir de Seus lábios estas palavras: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25.21).

Texto Original: [ Tim Cedarland ] - https://manjarcelestial.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

 

As Escrituras - C. H. Mackintosh

No reino de Ezequias houve um marcante retorno à autoridade dos escritos sagrados. Cedo eles vieram a descobrir que não haviam guardado a páscoa, "porque muitos a não tinham celebrado como estava escrito" (2 Cr 30.5). Vemos, portanto, que os homens de Judá receberam de Deus um só coração para cumprir o mandamento do rei, e dos príncipes, pela Palavra do Senhor (2 Cr 30.12). Além disso, Ezequias estabeleceu holocaustos da manhã e da tarde, e holocaustos dos sábados e das luas novas e das solenidades, como está escrito na Lei de Moisés (2 Cr 31.3).

Nos dias de Josias, rei de Judá, o maravilhoso reavivamento teve origem em um reconhecimento prático da divina autoridade das Escrituras. Elas foram trazidas por Hilquias, o sacerdote, que encontrou na casa do Senhor "o livro da Lei do Senhor, dada pela mão de Moisés (2 Cr 34.14). "E Hilquias respondeu, e disse a Safã, o escrivão: Achei o livro da Lei na casa do Senhor... E Safã leu nele perante o rei. Sucedeu pois que, ouvindo o rei as palavras da Lei, rasgou os seus vestidos" (2 Cr 34.15,18,19).

A razão disso foi que ele compreendeu, por meio daqueles escritos, que se encontravam, com justiça, expostos à ira divina e às maldições descritas no livro, por causa dos seus pecados, por desprezarem o Senhor Deus, e por haverem queimado incenso a outros deuses (2 Cr 34.21,24). Então eles se submeteram à autoridade dos escritos sagrados, e celebraram a páscoa em conformidade com a ordenança "como está escrito no livro de Moisés" (2 Cr 35.12), o que foi acompanhado de abundantes bênçãos dadas por Deus.

Eles foram tão exercitados pela autoridade das Escrituras acerca disso, que lemos que o mandamento do rei foi: "imolai a páscoa: e santificai-vos, e preparai-a para vossos irmãos, fazendo conforme a Palavra do Senhor, dada pela mão de Moisés" (2 Cr 35.6). Nos é dito ainda que o mal "e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, os extirpou Josias, para confirmar as palavras da Lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor. E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés: e depois dele nunca se levantou outro tal" (2 Rs 23.24,25).

O retorno dos judeus do cativeiro na Babilônia foi também marcado de forma extraordinária por seu reconhecimento da autoridade da Lei escrita do Senhor. Sabemos que Esdras era "escriba hábil na Lei de Moisés, dada pelo Senhor Deus de Israel" (Ed 7.6). Tal foi o seu reconhecimento da autenticidade divina dos escritos sagrados que nos é dito que "Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos" (Ed 7.10).

Lemos também que quando eles foram reunidos como um só homem em Jerusalém, "edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na Lei de Moisés, o homem de Deus... E celebraram a festa dos tabernáculos como está escrito" (Ed 3.2,4). E então, quando o templo estava terminado, eles consagraram a casa de Deus com gozo; ofereceram um sacrifício pelo pecado, de acordo com as doze tribos de Israel. "E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas divisões, para o ministério de Deus, que está em Jerusalém; conforme ao escrito do livro de Moisés" (Ed 6.15-18).

Quando Neemias era o copeiro do rei, lemos que ele jejuou, chorou e orou a Deus, e reconheceu a Palavra que Ele havia dado por Seu servo Moisés, a qual é encontrada em Levítico e Deuteronômio (Ne 1.8,9). Quando o muro estava completo, o povo se reuniu na rua como um só homem, e pediram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés que o Senhor dera a Israel. Assim ele fez, e leu-o, e todo o povo estava atento ao livro da Lei. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, e outros fizeram com que o povo compreendesse a Lei. Assim eles leram o livro da Lei de Deus distintamente, mostrando o significado, e os levaram a compreender a leitura.

Eles acharam escrito na Lei, que o Senhor havia dado por Moisés, que os filhos de Israel deveriam habitar em cabanas; "porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia; e houve mui grande alegria. E de dia em dia ele lia no livro da Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro" (Ne 8.1-18). Mais adiante nos é mostrado que depois disso "leu-se no livro de Moisés, aos ouvidos do povo; e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na congregação de Deus. Sucedeu pois que, ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel, toda a mistura" (Ne 13.1,3).

É muito interessante observar aqui que os fiéis que retornaram do cativeiro voltaram-se à autoridade divina, àquilo que Deus havia ordenado desde o princípio. Eles não se basearam em nenhum período ou reavivamento em particular, mas permaneceram naquilo que tinha sido escrito, separados de todas as tradições dos homens. Acaso não é este, sempre, o caminho daquele que é fiel em tempos maus? - Charles Henry Mackintosh (1820-1896)
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

 

Fruto na velhice

No Evangelho de Marcos há o registro da escolha que Jesus fez de doze homens para serem Seus discípulos. A Bíblia diz, "E nomeou doze para que estivessem com Ele e os mandasse a pregar" (Mc 3.14). Observe que Jesus os escolheu para que primeiro estivessem com Ele, e depois os enviou a pregar. Estar com Ele era comunhão; ser enviado a pregar era serviço. Nisso vemos que a comunhão com Deus é mais importante que o serviço, pois Deus deseja comunhão antes do serviço. Você pode estar surpreso com isso, mas é a ordem estabelecida por Deus. A comunhão com Deus é realmente mais importante que o serviço para Deus.

O cristão que se encontra inválido pela ação de uma artrite, ao ponto de ser atacado por intensa dor ao mais leve movimento, está, obviamente, muito limitado naquilo que pode fazer para o Senhor. Mas o que dizer da comunhão? Uma pessoa assim não somente desfruta de comunhão com Deus, mas pode ter uma comunhão muito mais rica agora que tem mais tempo disponível.

Assim se expressou uma senhora que vive em um asilo:

"Anos atrás eu estava tão ocupada cuidando de minha família que dificilmente tinha tempo para me sentar e ler minha Bíblia, como na verdade deveria ter feito. Ah! sim, eu a lia com uma certa freqüência junto com toda a família. Nós a estudávamos juntos; meditávamos um pouco nela, mas na realidade eu não separava um tempo para ter comunhão com Deus enquanto líamos a Sua Palavra -- falhávamos por não meditarmos verdadeiramente nela. Mas agora estou aposentada e tenho o tempo todo à minha disposição. Começo a desfrutar da meditação na Palavra de Deus, e agora estou tendo uma comunhão maravilhosa com Ele".

Aquela senhora está agora trazendo um prazer muito maior ao Senhor do que antes, quando o tempo que dispunha para Deus era tão limitado.

Por que Deus tem esse interesse tão especial em pessoas mais velhas? Deus quer ter comunhão com os cristãos, e muitos não separam um tempo para meditar e ter comunhão com Ele. Mas as pessoas mais velhas, que têm tempo disponível, podem desfrutar de uma deliciosa comunhão com o Senhor. Deus Se agrada dessa comunhão com pessoas de idade que conhecem o Salvador, e é este um dos frutos espirituais que Deus tem buscado e espera receber.  [Christian Treasury - Vol.5 Nº4]
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

 

O menino raptado

"O que faço, não compreendes agora, mas o compreenderás mais tarde." (Jo 13.7 - Bíblia de Jerusalém).

Um imigrante europeu, que havia se estabelecido à beira de uma floresta no Canadá, tinha um bom relacionamento com os índios das vizinhanças e de mui grado aceitava os seus serviços. Vivia ali com sua mulher e um filhinho que era a sua alegria. Porém, as terras que procurava explorar eram de pouca fertilidade.

Um dia, um dos índios chegou à sua casa e, mediante sinais, procurava levá-los à floresta. Eles se recusavam a segui-lo pois não compreendiam suas intenções. Pouco depois, o índio voltou e renovou sua tentativa, mas sem êxito. Então, ao ver o berço do menino, tomou-o e o levou sob o olhar aterrorizado de seus pais. Estes se puseram a persegui-lo, suplicando-lhe que devolvesse seu tesouro.

O índio acabou se detendo em uma ampla clareira da floresta onde crescia uma abundante pastagem. Ao lhes devolver o menino, deu a entender que podiam se mudar para aquelas terras, muito mais férteis que o lugar onde estavam instalados. E assim o fizeram, ajudados por seu amigo, e para grande prosperidade.

Queridos pais que choram por um filho amado: Acaso Deus não agiu com vocês como o índio da história? Ele quer que vocês O sigam, talvez chorando e sem compreender, mas Ele quer atraí-los a Si próprio para fazer com que apreciem o Seu amor. Sim, Ele quer lhes dar uma porção melhor do que todos os bens deste mundo, uma felicidade eterna na casa paterna, na qual vocês voltarão a encontrar aqueles que os precederam na viagem até lá.


"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei" (Mt 11.28). 
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens." (Mateus 5.16)
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 PERIGO! ONDE VOCÊ PASSARÁ A ETERNIDADE?

Essa pergunta solene está diante de você. A vida está se desvanecendo rapidamente. Logo você entrará para a eternidade. Você vai passar a eternidade no céu com o Senhor Jesus Cristo, ou no inferno com o diabo e seus anjos? Você não tem outras opções além dessas duas.

Eu lhe faço um apelo: aceite a Cristo antes que seja tarde demais. Aceite a oferta da salvação de Deus. Não adianta tentar limpar sua vida primeiro pelos seus próprios esforços. Confesse a Ele que você é um pecador e que você O deseja como seu Salvador. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2:21).

Cada tique-taque do relógio nos aproxima cada vez mais da ETERNIDADE. Cristo está batendo à porta de seu coração agora. “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2).

A Palavra de Deus nos diz para aceitarmos Cristo AGORA, não amanhã. Não, querido(a) amigo(a), amanhã pode ser tarde demais. “Não presumas do dia de amanhã, porque não sabes o que ele trará” (Provérbios 27:1).

A morte pode reivindicá-lo(a) a qualquer momento. Você está preparado(a) para se encontrar com um Deus santo? “Como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27).

“Aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15).

O livro da vida

Deus mantém livros. Seu nome pode estar escrito no livro de registros ou de membros de alguma igreja, mas será que está escrito no livro da vida do Cordeiro no céu? Imploro-lhe que resolva essa questão tão importante AGORA MESMO.

Eternidade! Onde? Oh, amigo, cuidado!

Pois logo Deus não mais Seu juízo retardará;

Eternidade! Onde? Oh! Eternidade! Onde?

Esta noite pode decidir tua Eternidade: Onde?

Eternidade! Onde? Eternidade! Onde?

Logo o Salvador virá para os que são Seus:

Portanto não vás dormir nem aceites do mundo qualquer coisa,

Até que tenhas respondido essa pergunta — Eternidade: Onde?

Pare e pense por um momento no que Cristo fez na cruz do Calvário por você e por mim, pecadores merecedores do inferno que somos. Ele levou o juízo e a ira de Deus sobre Si. Ele derramou Seu precioso sangue para nos limpar de todos os nossos pecados e nos tornar aptos para Sua presença.

O Imenso Custo

Pense no que custou para o Senhor da glória entrar neste mundo, arruinado pelo pecado, para morrer para que possamos viver com Ele no céu. Foi um amor maravilhoso!

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13).

“Que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Marcos 8:36).

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16:31).

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).

Um evangelista, certa vez, pediu permissão ao guarda de uma prisão para ver um criminoso que seria enforcado na manhã seguinte. O guarda lhe disse que ele podia ficar com o homem por apenas três minutos. Ele, então, citou-lhe João 3:16.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Ele também citou algumas outras passagens, e ao final dos três minutos, saiu.

No dia seguinte, o servo do Senhor ouviu falar que o prisioneiro morreu com a palavra “Jesus” em seus lábios. Ele confessou ser um pecador e que precisava de um Salvador. Deus, assim, em Sua maravilhosa graça, o salvou no último momento — quando estava a ponto de entrar na eternidade.

Que esse incidente possa despertá-lo em seu caminho e que faça com que você se volte ao Senhor Jesus. Ele está pronto e desejoso a salvá-lo. Pode ser que Ele não dê a VOCÊ uma chance de ser salvo no último momento, como fez com o pobre criminoso. O tempo de Deus para você é AGORA.

Você pode dizer: “Bem, eu faço o melhor que posso e vou à igreja”. Sim, mas boas obras e ir à igreja não salvam ninguém. A salvação vem somente através da confiança que você põe no Senhor Jesus, que morreu pelos pecadores. Todas as boas obras que você faz sem antes ter recebido gratuitamente a salvação de Deus são como trapos de imundícia aos olhos de Deus. (Veja Isaías 64:6)

Eu imploro-lhe mais uma vez: aceite a Cristo como seu Salvador agora, antes que seja tarde demais.

Fonte: BIBLE TRUTH PUBLISHERS - https://acervodigitalcristao.com.br/


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

 

"E teve compaixao deles" - C. Wolston

Em um mundo de miséria e necessidade, quão bom é conhecermos Alguém cujo coração sofreu isso tudo, tomando sobre Si as nossas dores, e cujas emoções de profundo amor são tão expressivas que podemos vê-las e conhecê-las nestas palavras: "E teve compaixão deles". Marcos 6:34

Aquela bendita face expressava claramente o palpitar de uma misericórdia divina a revolver o Seu interior. O coração se expressava antes mesmo que a mão se movesse para aliviar aquilo que Seus olhos contemplavam. Não se tratava de um sentimento passageiro, uma emoção de momento.

A dor da miséria humana encontrou morada permanente no coração de Jesus. Ele, que é "o mesmo ontem, e hoje, e eternamente", embora esteja agora no trono de Deus em glória, ainda tem "compaixão deles", enquanto olha para nós e assimila toda a miséria e necessidade que sobem em incessante súplica, e com uma intensidade cada vez mais profunda, ao trono de misericórdia.

Se o Pastor de Israel se moveu de compaixão, enquanto olhava para os filhos de Abraão e os via "como ovelhas que não têm pastor", quão profunda deve ser a emoção com que agora o Senhor Jesus contempla os filhos de Deus mais uma vez espalhados! Que terrível estrago os "lobos cruéis" fizeram no "rebanho"! (At 20.29).

Como os pregadores de coisas perversas atraíram "os discípulos após si"! (At 20.30). Quanta divisão, e ofensa generalizada, trouxeram aqueles que "não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre"! (Rm 16.18). Certamente tudo isso aparece com força perante Ele que "amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5.25).

Mas será que tudo se resumia no fato de ser, o povo de Jeová, "como ovelhas que não têm pastor"? Acaso não foram eles próprios que pecaram? Terá o coração deles sido "reto para com Ele"? Teriam eles sido "fiéis ao Seu concerto"? Ele sabia muito bem que tinham sido exatamente o contrário; a longa e triste história daquele povo perverso e obstinado estava toda diante dEle, "mas Ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade" (Sl 78.37,38).

E será que a Igreja do Deus vivo tem sofrido apenas em razão de falsos mestres e guias maus? Acaso terão os filhos de Deus uma história melhor que a dos filhos de Israel? Terão sido menos perversos e obstinados? Terão todos, juntamente, guardado a Sua Palavra? E será que os seus corações têm sido retos para com Ele, que os redimiu com Seu próprio sangue?

Quão bem Ele sabe que os privilégios mais elevados e as melhores promessas apenas revelaram um pecado mais profundo, e, na mesma proporção, menos ainda foi correspondido o Seu amor! Certamente todo coração conhece isto. Quão doce, então, em nossos dias, nos voltarmos para Aquele cuja compaixão não termina e que "como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim"! (Jo 13.1).

Quão bom era estarem ali e poderem contar com aquele coração profundamente comovido de intenso amor e perdão, que "começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6.34). Embora Ele hoje fale a nós lá do céu, trata-se do mesmo céu que está aberto para nós, não existindo distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos tão somente perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor.

Quão bom era estarem ali e poderem contar com aquele coração profundamente comovido de intenso amor e perdão, que "começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6.34). Embora Ele hoje fale a nós lá do céu, trata-se do mesmo céu que está aberto para nós, não existindo distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos tão somente perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor.

Aqueles que, em qualquer medida, servem às ovelhas de Cristo nestes últimos e derradeiros dias, precisam ponderar muito estas palavras, dirigidas a alguém no passado, "executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão" (Zc 7.9), enquanto, acima de tudo, permaneçam bem no espírito daquEle que é "misericordioso e fiel Sumo Sacerdote" (Hb 2.17), que, rodeado de fraqueza, e tocado com os mesmos sentimentos que temos, pode "compadecer-Se ternamente dos ignorantes e errados" (Hb 5.2).
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/C. Wolston

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

 

Como ser feliz

Querido cristão, jovem ou velho, conserve um relacionamento íntimo com Deus. Quando você descobrir que falhou e pecou, não faça pouco caso disso. Trata-se de algo sério, pois interrompe a sua comunhão, e nada poderá disfarçar essa perda. Portanto, reconheça LOGO e confesse a seu Pai, e receba o Seu perdão (1 João 1.9).

Se foi um caso de falhar para com outros, então não hesite em confessar isto a eles, não importa quão humilhante possa ser. Isto manterá a sua consciência límpida e exercitada, além de promover a comunhão e aumentar o seu gozo. O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia." (Provérbios 28.13.)

Leia a Palavra de Deus. Uma grande razão para o fracasso de muitos que pertencem ao povo querido do Senhor está em não lerem suas Bíblias. Eles parecem não ter apetite para isto. Um capítulo, de manhã e à noite, parece ser tudo o que eles acham necessário. Se eles tratassem seus corpos com uma dieta tão limitada, cedo entrariam em colapso. É excelente cultivar um apetite pela Palavra. Leia bastante, e intercale sua leitura com muita oração em busca de esclarecimento e auxílio, e para que a graça a transforme em bem em sua alma. (Salmo 1.2,3.)

Carregue constantemente com você uma edição ou porção de bolso das Escrituras. Não se envergonhe de ser visto lendo-a. Deixe que ela seja o seu conselheiro. Ali está a sabedoria; ali há luz; tudo o que você precisa está ali. É a voz de Deus, a qual o Espírito Santo faz com que seja ouvida no silêncio do mais íntimo de sua alma, para guiá-lo e aconselhá-lo. É também a COMIDA da nova vida, portanto, "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (1 Pedro 2.2); do contrário você acabará se tornando um anão espiritual. (Salmo 119.11.)

Que você possa ler, grifar, assimilar e digerir sua Bíblia, com muito fervor e oração. Não fique desencorajado se não parecer estar aprendendo muito a cada vez. Você adquirirá o suficiente para a SUA NECESSIDADE, e descobrirá sempre que tem o suficiente para dar a outros se tiver um coração pronto a fazê-lo. "A alma generosa engordará, e o que regar também será regado." (Provérbios 11.24.) Portanto, quanto mais você der, mais receberá para dar, e maior será o seu gozo em dar.

Ore muito. Todos os homens de Deus são homens de muita oração. Eles vivem no espírito de oração e, sempre que acham uma oportunidade, têm prazer em se afastar, sem que os outros percebam, para falarem com Deus. A oração é a expressão da dependência do cristão para com Deus. Trata-se da fraqueza humana se apegando à força do Todo-Poderoso, ligando-se a Ele com expressivo e terno amor. Apóie-se nEle totalmente.

Trate Deus como seu Pai. Exercite para com Ele uma confiança sem restrições. Nunca pense que algo possa ser muito trivial ou sem valor para Ele Se ocupar. "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós." (1 Pedro 5.7.) Benditas palavras! "TODA A VOSSA ANSIEDADE - ELE TEM CUIDADO - DE VÓS."

Não negligencie sua oração a sós. No momento em que você começa a negligenciar isto, esteja certo de que há algo errado. Pare imediatamente e examine-se, procurando se assegurar de ter o impedimento removido, caso contrário o resultado será uma queda. Não viva para ser visto pelos outros, mas para ser visto por Deus.

Procure as respostas à oração, e volte para dar graças. Não se esqueça de ser agradecido. Faça com que estas coisas tornem-se um hábito constante em sua alma e sua felicidade estará assegurada. (Filipenses 4.6,7.)

"Ora àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 24,25.)
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/Gospel Truth Publications

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

 

Volte! - M. Persona

"E Jesus lhes disse: Eu sou o Pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." (Jo 6.35,37.)

Que convite de amor Cristo nos faz! O mundo nos faz muitos convites e promete uma paz fundamentada em coisas efêmeras que não duram uma vida. Mas o Senhor oferece algo que não passa: "Deixo-vos a paz, A MINHA PAZ vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá." (Jo 14.27.) 

Conta-se que Abraham Lincoln, ao ser eleito presidente dos Estados Unidos, preparava-se para embarcar no trem que o levaria a Washington quando, voltando-se para a multidão que o acompanhara à estação, disse:

- Certo rei ordenou a seus sábios que escrevessem uma frase que pudesse ser usada em qualquer ocasião. E a frase que eles escolheram é a mesma que posso usar nesta ocasião: "Isto também é passageiro".

Muitas vezes somos tentados a voltar ao mundo, vivendo à sua maneira e desfrutando de suas ilusórias "vantagens". Assim desejavam os israelitas durante a peregrinação no deserto, quando estavam enjoados do maná. Aquilo que no princípio tinha para eles o sabor de mel (Êx 16.31), acabou lhes parecendo ter o intragável sabor de azeite fresco (Nm 11.8). Eles se lamentavam, dizendo: "Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; cousa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos." (Nm 11.4-6.)

Quanto engano havia nesse lamento! No Egito eles não passavam de escravos, pois "os egípcios faziam servir os filhos de Israel com durezas; assim lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo". (Êx 1.13,14.)

O mesmo ocorre conosco; logo nos esquecemos de que éramos escravos de Satanás e queremos voltar ao nosso estado anterior, achando que "comíamos de graça". Que triste engano! O mundo tem tanto a oferecer para o cristão como o Egito tinha para o povo de Israel. Nada havia para eles no Egito além de dura escravidão. Do mesmo modo como o povo de Israel foi liberto da escravidão, após uma noite de juízo que se abateu sobre o Egito e que poupou apenas os que pela fé aplicaram o sangue de um cordeiro imolado nas obreiras de suas portas, nós também fomos libertados pelo sangue de Cristo e escapamos do juízo que cairá sobre este mundo e sobre aqueles que rejeitarem o favor de Deus. Mas, assim como os israelitas, após termos sido salvos nos encontramos em um deserto, seco e árido, onde Deus nos sustenta com o "pão da vida" que desceu do Céu (Jesus) e com a água saída da Rocha. ("e a pedra era Cristo" 1 Co 10.4.)

Quão triste é para nosso Senhor, que sofreu tanto para nos salvar, ver os Seus redimidos desejosos de voltar ao seu estado anterior! O quanto vale para nós todo o Seu sacrifício? Nossos olhos sempre se ocupam com aquilo que nos parece de maior valor; e que valor tem para nós o sangue de Cristo derramado em nosso favor? Pilatos, ao apresentar o Senhor à multidão, perguntou: "Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado." (Mt 27.22.)

E você, o que fará de Jesus, seu Salvador? Judas O vendeu por trinta moedas de prata, o valor de um escravo. (Êx 21.32.) Quanto vale o Senhor para você? Haverá alguma coisa neste mundo, ou mesmo o mundo todo, cujo valor exceda o daquEle que deu Sua vida por você? Se você se afastou dEle, saiba que Ele não se afastou de você. Como o "filho pródigo" de Lucas 15.11, você já deve ter percebido que este mundo só pode lhe oferecer comida de porcos. Mas o Pai está esperando por você de braços abertos, desejoso de lhe dar o melhor: "o pão da vida". Volte agora mesmo. Confesse a Ele o seu pecado e, ainda que deseje culpar outros por seu afastamento, é com o Pai que você interrompeu sua comunhão e é com Ele que deve se reconciliar em primeiro lugar.

"...tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento." (Os 11.3,4.)
Texto Original: Mario Persona - https://manjarcelestial.blogspot.com/

sábado, 12 de setembro de 2020

 Os falsos profetas


Jesus avisa para tomarmos cuidado com os lobos vestidos de ovelha, os falsos profetas. Como saber quem são? Pelos frutos. Árvores boas dão bons frutos; árvores más dão frutos ruins.

Mas cabe um alerta aqui: os lobos são sedutores. Além de vestidos em pele de ovelha eles vão querer vender para você a idéia de que seus frutos são bons. Oras, não foi isso o que o diabo fez com Adão e Eva?

Deus tinha avisado que comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal era morte certa. Satanás insinuou que Deus estava escondendo deles a melhor parte. Deu no que deu. Adão e Eva foram atraídos pela cobiça dos olhos, pela cobiça da carne e pela soberba da vida. O que os lobos travestidos de ovelhas oferecem? Aquilo que apela para a ganância da carne, dos olhos e do orgulho.

Se você sair pelas ruas convidando pecadores a se arrependerem de seus pecados e a crerem em Jesus para receberem a vida eterna, quanta gente você acha que vai conseguir atrair? Mas, se sair por aí prometendo saúde física, financeira e sentimental, vai atrair uma multidão.

Jesus curou e alimentou multidões, mas o evangelho de João diz que "muitos viram os milagres que ele fazia e creram no seu nome, mas Jesus não confiava neles". Em outra parte ele reclamou que as pessoas iam atrás dele por causa do pão! E você, está atrás de Jesus por que? Para ter saúde física, dinheiro e sorte no amor? Se for assim você será presa fácil dos lobos.

Para todo vigarista existe alguém com o mesmo motivo: lucro fácil. Quem compra o bilhete supostamente premiado do estelionatário não é diferente daquele que vende. "Um bilhete de um milhão e só pago mil?! Eu quero!!!" Por causa da cobiça acaba caindo no golpe. "O pastor diz que se eu der mil para a igreja dele Deus vai me dar um milhão?! Eu quero!!!" Percebeu?

Antes que você caia nessa conversa, Jesus avisa que nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor" é genuíno. Dizer que é cristão ou evangélico não garante nada. E ele diz ainda que um dia dirá de pessoas que pregam, curam e expulsam demônios em nome de Jesus que nunca as conheceu.

Mas se os próprios discípulos faziam tudo isso, como distinguir o falso do verdadeiro? Bem, Judas fazia tudo isso, mas estava de olho mesmo era no dinheiro. Por acaso é dinheiro que o pregador ali da esquina pede e oferece? Desconfie.

Desconfie também de você, sim, de seus motivos. O que atrai você a Jesus? O peso de seus pecados e a preocupação com seu destino eterno? Ou será que quer uma solução mágica para conseguir uma mansão com carro importado na garagem?

Quem está de olho na eternidade vai querer uma mansão no céu, não aqui. Porque a mansão lá é eterna, construída sobre a Rocha, e as mansões daqui são passageiras, construídas sobre a areia.
Texto Original: Mario Persona - https://www.3minutos.net/

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

 

Todas as coisas - F. G. Patterson

O que será que quer dizer a passagem em Romanos 8.28, que diz que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto"? Acaso as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem? Não são coisas agradáveis de se levar, então de que maneira elas contribuem para o nosso bem?

A passagem supõe que já exista a consciência da perfeita liberdade de graça na qual, como crentes, nós nos encontramos:

"Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" - "A lei do espírito da vida... livrou-me da lei do pecado e da morte"

- "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito"

- O Espírito habita em nós e "testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros..."

Todavia, ainda não estamos de posse da herança, exceto naquilo que se refere a sabermos que ela é nossa, e nos encontramos numa criação que geme, ainda sujeita aos efeitos do pecado do homem: estamos ligadas a ela por um corpo que ainda está sujeito à morte, enquanto aguardamos a adoção, isto é, a redenção de nosso corpo. Fomos redimidos; nosso corpo está habitado pelo Espírito, que nos liga com Cristo nos céus, mas no corpo estamos ligados a uma criação que geme.

Fomos salvos na esperança da glória vindoura e aprendemos em paciência a esperar por ela. Numa tal condição, não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o sentimento divino que é produzido em nós pelo Espírito, se expressa por um gemido inexprimível. Mas naquilo em que o Espírito entra, Deus, que perscruta os corações, encontra em nós a mente do Espírito "que segundo Deus intercede pelos santos". Numa condição assim, embora não saibamos o que havemos de pedir como convém, sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus.

A dúvida, se "as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem" não caberia aqui; embora Deus possa fazer (e sem dúvida Ele faz) com que elas sejam transformadas para contribuírem para nossa bênção, pois o inimigo foi calado para sempre no que se refere à nossa aceitação para com Deus. O próprio Deus provou a Si mesmo por nós, e nos justificou, de forma que o Espírito Santo pergunta no versículo 33: "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" Ninguém. "Quem os condenará?" Não poderia haver, e nem há efetivamente, acusação contra aqueles que estão em Cristo Jesus.

Quanto às acusações de nosso próprio coração, não temos nada que possa satisfazê-las. Se tivéssemos algo, seria um mau indício. Sabemos que não importa quão profunda seja a descoberta do mal que há em nosso coração, Cristo já o suportou todo, e o pôs de lado para sempre. Não fazemos um juízo suficientemente mau de nós mesmos. A partir do momento em que descobrimos que em nós "não habita bem algum" (Rm 7.18), e nos apossamos de um claro reconhecimento do que somos, que Cristo morreu por nós, e que Ele nos libertou completamente e para sempre, começando a não nos preocupar conosco - teremos chegado à conclusão que tudo o que nos dizia respeito já foi tratado.

O Espírito, que habita em nós, é entristecido com a mais tênue sombra de fracasso ou pecado e, portanto, não leva nossa alma a desfrutar (e nem poderia levar) da posição e da porção que temos. Ele faz com que nos voltemos para olhar o nosso próprio coração a fim de vermos o mal que há nele e tenhamos um exercício de julgar a nós mesmos a esse respeito; talvez seja isso que podemos confundir como "acusações do nosso próprio coração".

A passagem nos mostra, portanto, que em uma tal condição, Deus faz com que todas as coisas contribuam juntamente para o nosso bem (como um precioso consolo em meio às dificuldades e provações) - e desta maneira nosso coração é tranquilizado, na consciência de que os propósitos de Deus são cumpridos em Seu povo e a favor do Seu povo.

Texto Original: F. G. Patterson (Scripture Notes and Queries - 1871)
https://manjarcelestial.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

 Em busca de um milagre

Janes e Jambres eram os magos a serviço de Faraó que, usando de poder satânico, eram capazes de imitar os sinais e milagres operados por Deus através de Moisés. Enquanto Faraó vibrava com cada manifestação de poder do diabo, observando o placar mantido empatado com os sinais do poder de Deus, ele não percebia que seus magos estavam apenas multiplicando os sofrimentos trazidos pelos juízos que Deus lançava sobre o Egito. O placar foi desempatado quando o desafio foi de produzir vida a partir do pó, um poder que só Deus possui.

“Então o Senhor disse a Moisés: ‘Diga a Arão que estenda a sua vara e fira o pó da terra, e o pó se transformará em piolhos por toda a terra do Egito’. Assim fizeram, e quando Arão estendeu a mão e com a vara feriu o pó da terra, surgiram piolhos nos homens e nos animais. Todo o pó de toda a terra do Egito transformou-se em piolhos. Mas, quando os magos tentaram fazer surgir piolhos por meio das suas ciências ocultas, não conseguiram.” (Êx 8:16-18).

Após enganar Eva, Satanás passou a ter mão de obra boa e barata — como Janes, Jambres e outros — para continuar enganando a humanidade. Hoje exércitos de homens e mulheres trabalham obedientes a serviço do diabo, alguns conscientes disso, outros ingenuamente crendo estarem a serviço de algum “anjo de luz”. E pode apostar que estão, “pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam que são servos da justiça... falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo.” (2 Co 11:13-15).

Eles estão por toda parte: nas sessões de descarrego em terreiros de magia negra, mesas brancas e púlpitos pentecostais, nas beatas benzedeiras, nas aparições de “santos”, nos horóscopos, adivinhos e curandeiros. A influência de pessoas como Alan Kardec e Madame Blavatski trouxe para o Ocidente os demônios do Tibete e das religiões orientais. Enquanto isso livros como Harry Potter seduzem a juventude para buscar a magia dos antigos druidas celtas. Finalmente até a ciência não escapa, com seus pesquisadores de fenômenos paranormais e aparições de extraterrestres.

Satanás está arrebanhando, em diferentes meios, uma multidão cujo único interesse está em magia, curas, sinais e milagres. Serão esses que darão as boas vindas ao anticristo, aquele que fará “grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens” (Ap 13:13).

Texto Original: Mario Persona - https://www.3minutos.net/


terça-feira, 8 de setembro de 2020

 Posição e condição do crente

Apresentamos aqui algo acerca dos mais maravilhosos e proveitosos princípios que nos levam a um correto entendimento espiritual da posição e da condição do crente diante de Deus. A ignorância que existe acerca destes pontos é algo que entristece, já que a má compreensão da posição e condição do cristão diante Deus pode resultar em confusão e falsas doutrinas.

Certa vez perguntaram a um pregador se determinada forma de agir de um crente alteraria seu estado diante de Deus. - Sim - respondeu ele - afetará a sua condição, mas não a sua posição perante Deus. O que quer dizer isto? Conduziremos o leitor às passagens da Palavra de Deus que tratam deste assunto tão importante. Primeiramente citaremos três passagens que falam da nossa POSIÇÃO diante de Deus:

"Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis." (1 Co 15.1.)

"Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus." (Rm 5.1,2.)

"Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes." (1 Pd 5.12.)

A posição do convertido é tal como Deus o vê em Cristo Jesus. Por conseguinte, o crente se encontra, diante de Deus, em toda a perfeição de Cristo Jesus. E como Deus vê a Seu Filho amado? Sem defeito, sem mancha, sempre perfeito. Como Deus nos vê? Em Cristo Jesus nos vê salvos, lavados com o Seu sangue e também sem defeitos, sem manchas e para sempre perfeitos.

Já que nossa "vida está escondida com Cristo em Deus" (Cl 3.3), temos muitas prerrogativas tais como a de não sermos chamados a juízo por nossos pecados e a certeza assegurada de que o Senhor nos guardará para o bendito dia da Sua vinda e ressurreição dos que são Seus. Esta confiança está clara nas palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: "porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia" (2 Tm 1.12).

Vejamos, pois, qual é a condição do crente. Citaremos primeiro cinco passagens que se referem à nossa CONDIÇÃO espiritual:

"E espero no Senhor Jesus que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios. Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado. Porque todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus." (Fl 2.19-21.)

"Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho." (Fp 4.11.)

"Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado." (Cl 4.7.)

"Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. Assim me embruteci, e nada sabia; era como animal perante Ti. Todavia estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela minha mão direita." (Sl 73.21-23.)

"Porque receio que, quando chegar, vos ache como eu não quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis: que de alguma maneira haja pendências, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, orgulhos, tumultos; que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram." (2 Co 12.20,21.)

Qual é a condição do crente perante Deus? É tal como Ele nos vê em nossa vida diária. Como andamos? Falhamos a cada passo e sempre temos que ser disciplinados e corrigidos. Pecamos em palavras, em atos e em pensamentos, sendo tentados, atraídos e alimentados por nossa própria concupiscência (Tg 1.12-16). Além disso pecamos muitas vezes por não fazer o que devíamos ou seja, por negligência (Tg 4.17).

A Palavra de Deus não estaria completa se nos ensinasse tão somente como ser salvos, sem nos mostrar também como deveríamos andar depois de convertidos a Cristo. Recomendamos, pois, ao crente que tiver dificuldade em compreender isto, que faça a si mesmo esta pergunta quando ler algo em sua Bíblia: "Este versículo fala de minha posição ou de minha condição perante Deus?"

Como existe uma grande diferença entre ambos os gêneros, convém esquadrinhar mais as Escrituras para chegar a melhores conclusões. Tomemos como exemplo 1 Coríntios 1.2, onde o apóstolo se dirigiu aos crentes chamando-os de "santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" enquanto no capítulo 3.3, os qualificou de "carnais", pois, "havendo entre vós inveja, contendas e dissensões". Na primeira parte, ao chamá-los "santificados" (separados) por Ele e para Sua glória, se está considerando a posição perante Deus. Mas o seu modo de andar, ou seja a sua condição estava sujeita à crítica construtiva do apóstolo Paulo, pois os encontrou completamente "carnais" e andando "segundo os homens", pelo que necessitavam ser corrigidos e exortados.

Também em Colossenses 2.10 lemos: "E estais perfeitos nEle". Isto se refere à posição perfeita que cada crente tem em Cristo. Jamais poderíamos "melhorar" uma posição tão privilegiada pois o crente já é completo nEle. Mas, lamentavelmente o nosso modo de andar, ou condição, não está no mesmo nível de nossa posição, pois jamais poderemos dizer que estamos sem pecado (1 Jo 1.10).

No que se refere à posição atual dos crentes perante Deus, Ele sempre os contempla como se já estivessem na glória. Em Efésios 2.6 esta verdade tão preciosa nos é confirmada: "e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus". Sublime benção! Mas Colossenses 3.5 nos exorta, quanto a nossa condição terrenal, admoestando-nos a mortificar os "nossos membros que estão sobre a terra". Assim vemos que os crentes ao mesmo tempo se situam no Céu (sua posição) e na terra (sua condição).

A epístola de Paulo aos Efésios é a porção mais extraordinária de toda a Bíblia naquilo que se refere à posição e condição do crente. A epístola se divide em seis capítulos. Os três primeiros tratam na nossa posição nos lugares celestiais em Cristo, e terminam com a palavras "Amém", ao final do capítulo 3. "Amém" significa "Assim seja". A segunda parte da epístola, começa com a palavra "andar": "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação a que fostes chamados". (Ef 4.1.) E é a nossa condição que é tratada nos três capítulos finais da epístola.

É óbvio que existe na Palavra de Deus muito mais instruções referentes à condição do crente perante Deus do que à sua posição perante Ele. Assim deve ser, pois sua condição é terrenal e temporária enquanto que a sua posição é celestial, eterna e perfeita. Cristo, em Sua morte na cruz do Calvário, a fez assim. É o dom gratuito de nosso Deus para pobres pecadores como nós. Devemos ser "um povo zeloso de boas obras" (Tt 2.14), não para que sejamos salvos, mas porque já somos salvos.

É o desejo constante do Pai (o Espírito Santo atua também continuamente com igual propósito), que nossa condição esteja sempre em conformidade com nossa posição gloriosa e celestial. (Rm 6.12-14 e 2 Tm 2.21,22)

Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/Autor desconhecido


sábado, 5 de setembro de 2020

 

Os dons do Espirito - H. E. Hayhoe

Alguns dos dons do Espírito foram dados para "sinais", e como tal serviram para confirmar a Palavra para aqueles que eram incrédulos. (Atos 14.3; 1 Coríntios 14.22.) Eles não eram para ser utilizados, mesmo quando alguém os possuía, exceto para edificação. Quando se tratava de falar em línguas, devia-se permanecer em silêncio a menos que alguém pudesse interpretar o que era falado, de forma a edificar a assembléia. (1 Coríntios 14.27,28.)

Quanto ao dom de línguas do versículo acima citado, não existe promessa de sua continuação, nem de qualquer um dos outros dons de sinais. (1 Coríntios 12.28-31.) A continuidade é prometida para aqueles dons que expressavam o amor de Cristo para com a igreja. (Efésios 4.11-16.)

O dom de línguas servia para demonstrar a unidade de todos os crentes de todas as nações, unidade esta formada por Deus por ocasião da vinda do Espírito. (Atos 2.4-11; 1 Coríntios 12.13.) Uma vez que a igreja de Deus falhou de forma tão evidente em expressar exteriormente esta unidade, o dom de línguas, assim como todos os dons de sinais, já não são manifestos em nossos dias. Aqueles que professam possuir estes dons devem ser provados à luz das Escrituras. O dom de línguas na Bíblia não se tratava da manifestação de línguas ininteligíveis, mas línguas bem conhecidas e faladas neste mundo. (Atos 2.8.) Quando se tratava de efetuar curas, ninguém saía desapontado. Todos eram curados. (Atos 5.16.) É bom provar, por estas passagens bíblicas, aqueles que proclamam possuir o dom de línguas e de cura nos dias de hoje. (1 Coríntios 4.19,20.)

Além do mais, "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas". O Espírito de Deus não força um homem a falar a qualquer hora, ou de qualquer maneira, e quando alguém ministra, seu ministério deve ser objeto de um julgamento espiritual por parte de seus irmãos. Além disso, aqueles que falam devem falar um de cada vez, caso contrário haverá confusão. (1 Coríntios 14.27-33.)

Os dons do Espírito não se tratam de habilidades santificadas, mas de uma verdadeira comunicação daquilo que não era possuído anteriormente, embora colocado em um vaso preparado por Deus para esse uso.

Os dons apresentados em 1 Coríntios 12 eram as várias manifestações do Espírito, ali dispostas por Deus e administradas pelo Senhor, e suas operações eram pelo Espírito. Seu uso devia ser para edificação. (1 Coríntios 14.)

Para a época em que a igreja de Deus se transformou numa "grande casa", a palavra em 1 João 4.1 é: "provai se os espíritos são de Deus". Duas coisas devem caracterizar o verdadeiro ministério pelo Espírito: primeiro, deve haver a confissão da verdadeira Deidade e Humanidade de Jesus Cristo; segundo, deve haver submissão à doutrina dos apóstolos conforme é dada na Palavra. Isto é muito importante. (1 João 4.2,6.)

Todo crente é habitado pelo Espírito, e sabe disso pelo amor de Deus que é derramado em seu coração. (Efésios 1.13; 1 Coríntios 6.19; Romanos 5.5.)

Toda bênção cristã é um dom. Não recebemos essas bênçãos por nossos próprios esforços ou orações. Nós as recebemos quando a fé recebe a Cristo, e crê no evangelho da Sua graça. (Efésios 1.3.) Aqueles que creram no evangelho no dia de Pentecostes, receberam também o dom do Espírito. (Atos 2.38.)

O nosso desfrutar daquilo que temos recebido depende do nosso andar. (Romanos 15.13; Efésios 4.30; 1 Coríntios 2.15.) Andemos cuidadosamente, em oração, submissos à Palavra, e julgando tudo aquilo que possa impedir a ação do bendito Espírito de Deus em nos mostrar as coisas que pertencem a Cristo.

É importante lembrar que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito de Deus (2 Pedro 1.21), e que o Espírito nunca guiará alguém por um caminho contrário à Palavra.
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com - H. E. Hayhoe

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

UNÇÃO, SELO E PENHOR DO ESPIRITO - H. E. HAYHOE

A UNÇÃO DO ESPÍRITO

A unção do Espírito é dada para o serviço. (Lucas 4.18.) O sacerdote em Israel era ungido para o serviço (Êxodo 29). A unção era para separar pessoas para o Senhor, ou, no caso da adoração de Israel, coisas usadas na adoração. Hoje, nós que somos salvos, somos ungidos pelo Espírito. (2 Coríntios 1.21; 1 João 2.27.)

O SELO DO ESPÍRITO

O selo do Espírito serve para marcar aqueles que crêem, como pertencentes a Cristo. (2 Coríntios 1.22.) Sendo assim, é dito em Romanos 8.9 que "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele", pois um homem não estará ainda totalmente reconhecido como pertencente a Cristo até que seja selado pelo Espírito, mesmo que uma obra de Deus pelo Espírito possa ter começado em sua alma. (Filipenses 1.6.) Todo crente, uma vez selado, é selado até o dia da redenção. (Efésios 4.30.)

O PENHOR DO ESPÍRITO

O penhor do Espírito significa que o Espírito que habita no crente é a garantia de que o crente, com absoluta certeza, irá estar na glória vindoura, incluído nos privilégios que o Espírito procura fazer que desfrutemos desde já. (2 Coríntios 1.22; 5.5; Efésios 1.14.)

CHEIOS DO ESPÍRITO

Somos exortados a nos encher do Espírito (Efésios 5.18), pois quando estamos assim cheios nos rendemos à energia do Espírito que deseja ocupar nossa mente e preencher o nosso coração com Cristo, na glória da Sua Pessoa e na plenitude da Sua obra. Sua obra perfeita glorificou a Deus, e tornou possível que a graça viesse a nós em toda a plenitude dos propósitos de Deus. Para nos rendermos é necessário que mortifiquemos os desejos do corpo, a fim de podermos viver no poder do Espírito e, quando estamos assim cheios, vivemos para Cristo. (Romanos 8.13.) Não se trata de algo que é feito de uma vez para sempre, mas trata-se da aplicação prática e diária da verdade. (Lucas 9.23; 2 Coríntios 4.10.)

Uma pessoa cheia do Espírito não estará ocupada consigo mesma, e nem tampouco com o próprio Espírito, mas com Cristo, Aquele de Quem o Espírito fala. (João 16.13,14.) Estêvão é um maravilhoso exemplo disto. (Atos 7.55.)

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

 

O batismo com o Espirito Santo - H. E. Hayhoe

O batismo com o Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes quando todo aquele grupo reunido no andar superior da casa recebeu o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito Santo "encheu toda a casa" (Atos 2.2), e encheu também cada um dos que estavam na casa. (vers. 4.)

As "línguas repartidas" demonstravam o propósito de Deus em fazer tanto judeus como gentios um em Cristo, enquanto que o fato de serem "como que de fogo" (figura de um juízo), nos faz lembrar que "a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre". (Salmo 93.5.) Isto se tornou evidente no julgamento de Ananias e Safira. (Atos 5.) Algo similar ao batismo com o Espírito aconteceu quando os gentios foram publicamente recebidos, em Atos 10.44 e 11.15. É a isso que se refere 1 Coríntios 12.13, quando foi dada a Paulo a revelação da verdade da igreja como sendo o Corpo de Cristo.

Uma vez que a igreja já foi formada, o batismo com o Espírito não se repete em nossos dias. Hoje os crentes são acrescentados, à medida que cada um recebe o Espírito Santo individualmente, como consequência de sua fé em Cristo e na Sua obra. (Efésios 1.13.)

É bom frisar que em nossos dias o Espírito não é dado pela imposição de mãos. Além disso, mesmo na igreja primitiva, o Espírito nem sempre foi recebido desta maneira (veja Atos 10.44), mas Deus usou este meio em ocasiões especiais para preservar a igreja dos grupos nacionais independentes entre si. Foi o cumprimento de João 11.52. Podemos ver isto quando os samaritanos foram recebidos. (Atos 8.17.) Também quando foi recebido Saulo de Tarso, para que a ele pudesse ser dada a verdade de que os crentes em Cristo são um com Ele e para que Saulo pudesse se identificar com eles. (Atos 9.4,28.) Vemos isto novamente quando alguns gentios, que conheciam apenas o batismo de João, foram recebidos. (Atos 19.6.) "Há um só corpo e um só Espírito." (Efésios 4.4.)
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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

 

Nascido do Espirito - H. E. Hayhoe

Foi sempre pelo Espírito que a vida foi dada a todo aquele que pertence à família de fé. (Ezequiel 11.19; 36.26,27; João 3.5; 6.63.)

Agora todo crente tem "vida em abundância". (João 10.10.) Trata-se de vida em Cristo ressuscitado (João 20.22), de forma que possuímos uma vida sobre a qual o pecado não tem domínio (Romanos 6.14), sobre a qual a morte não tem nenhum direito (1 Coríntios 3.22), e sobre a qual Satanás não tem qualquer poder (1 João 5.18). Essa vida será manifestada na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme 1 Tessalonicenses 4.15-17.

Os santos do Antigo Testamento possuíam vida pelo Espírito, mas não aquela vida à qual as Escrituras se referem como "vida abundante". A vinda do Espírito Santo e Sua habitação em nós deram-nos o conhecimento de filiação, que significa um parentesco consciente que nos capacita a dizer: "Aba, Pai". (Gálatas 4.6.) Uma vez de posse desta vida, temos comunhão de pensamento em unidade de vida, por termos vida no Filho que nos revelou o Pai. O Espírito testifica dEle e da Sua obra a fim de que, por meio da fé, tomemos posse do gozoso conhecimento do parentesco que hoje temos.

Somos nascidos de Deus (1 João 5.1), participantes da natureza divina (2 Pedro 1.4; Efésios 4.24), e habitados pelo Espírito Santo. (1 Coríntios 6.19.)
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terça-feira, 1 de setembro de 2020

 

O Espirito Santo - H. E. Hayhoe

Uma busca cuidadosa nas Escrituras irá mostrar que toda obra de Deus tem sido, e sempre será, em Trindade. É sempre Deus o Pai, em Seu propósito; Cristo, o Filho, como Aquele que executa esses propósitos, e o Espírito, por meio de cujo poder os propósitos são executados.

O Espírito Santo é eterno. (Hebreus 9.14.) Ele é uma Pessoa e não apenas uma influência, pois o Senhor Jesus diz em João 14.16"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre".

Ele convence o mundo do pecado e avisa do juízo prestes a vir. (João 16.8-11.)

Ele guia a toda a verdade; Ele glorifica a Cristo, e cuida das coisas de Cristo, e as mostra para nós. (João 16.13,14.)

Ele, o Espírito Santo, fala em João 16.13, Atos 13.2, 1 Timóteo 4.1 e Apocalipse 14.13.

Ele reparte a cada um conforme Ele quer. (1 Coríntios 12.11.)

Ele nos auxilia em nossas fraquezas e intercede pelos santos. (Romanos 8.26.)

Ele possui os pensamentos de Deus, por isso temos a mente do Espírito, conforme a vontade de Deus. (Romanos 8.27.)

Ele é o Espírito de verdade - sendo as próprias palavras das Escrituras a expressão do Espírito. (João 16.13; 1 Coríntios 2.13)

O que caracteriza esta presente dispensação (que começou no dia de Pentecostes e terminará com a vinda de Cristo como Noivo para a Sua noiva), é a presença do Espírito Santo de Deus sobre este mundo como uma Pessoa divina. Ele habita na casa da cristandade professa. (Atos 2.2; 1 Coríntios 3.16,17; Efésios 2.22.)

Ele também habita em cada crente. (1 Coríntios 6.19.) Ele é para nós a testemunha de tudo o que Cristo é e de tudo o que Ele fez para a glória de Deus. Também é pelo Espírito que somos levados à privilegiada posição de aceitação em Cristo e de glória vindoura juntamente com Ele. Ele pode ser entristecido por nossa conduta, mas nunca nos deixará. (Efésios 4.30; João 14.16.)

Toda obra de Deus é, como sempre foi, pelo Espírito. No Antigo Testamento, o Espírito de Deus foi o poder na criação. (Gênesis 1.2, Salmos 104.30.)

O Espírito de Deus desceu sobre os santos do Antigo Testamento, mas não habitou neles. (2 Crônicas 15.1.) Algumas vezes isso aconteceu mesmo com aqueles que não pertenciam à família de fé, como Balaão e Saul, no Antigo Testamento (Números 24.2; 1 Samuel 10.10), e Caifás, no Novo Testamento. (João 11.51.)

A vida eterna, agora recebida por fé, é desfrutada pelo poder de um Espírito não entristecido. (João 7.37-39; Efésios 4.30.)

A compreensão das coisas de Deus é fruto de um andar na presença de um Espírito não entristecido. (1 Coríntios 2.15.)

O Espírito de Deus irá sempre ocupar a mente, e encher o coração com Cristo, nunca com o próprio "eu", salvo nos casos em que o "eu" precise ser julgado. Isto nos conserva em temor, porém alegres. Em temor por sermos tão pouco conformados a Ele, e alegres por Ele nos amar tanto.
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