sábado, 31 de outubro de 2020

 Jesus precisou aprender a obedecer? - F. G. Patterson

Em que sentido Cristo "aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu"? (Hb 5:8) Tratava-se de algo inteiramente novo, para o glorioso Filho de Deus, aprender obediência.

Aquele que ordenou todas as coisas desde a eternidade veio a este mundo de pecado e ocupou o lugar de obediência, e, numa senda de sofrimento em que nunca sucumbiu à tentação - "naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu", mas nunca cedeu - aprendeu neste mundo o que significava obedecer.

Nós aprendemos obediência pela sujeição da ímpia vontade de nosso coração a Deus. Ele a aprendeu como alguém para Quem se tratava de algo totalmente novo, e que tinha uma vontade perfeita, mas a deixou de lado - ("não para fazer a Minha vontade" Jo 6:38) - e que Se sujeitou a tudo, que obedeceu em tudo e que dependeu de Deus para tudo. Sua obediência terminou em morte, mas não fracassou na fidelidade ou obediência a Seu Pai.

Quão contrário ao primeiro Adão foi o Segundo em tudo isso! E o cristão é eleito "segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo" (1 Pd 1:2). Que possamos ter a graça de sermos conformados a Ele e O obedecermos! - Scripture Notes and Queries - F. G. Patterson

Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 

Prosperidade neste mundo - H. H. Snel

Cremos que um dos maiores obstáculos para as almas é serem tão cativadas pelo desejo de prosperar neste mundo. A consequência disso é que o Senhor não tem o Seu lugar de direito em seus corações, e, não importa quantas desculpas possam dar, a questão na verdade é: "Estou eu buscando lucro neste mundo ou o gozo da presença do Senhor? Será que o maior desejo de meu coração é ter comunhão com Ele?"

Talvez não exista um ponto de maior importância para nós colocarmos verdadeiramente na presença de Deus. Se as vantagens neste mundo, sem falar no acúmulo de riquezas, é o que consideramos sempre em primeiro lugar, não fiquemos surpresos se aqueles que buscam tais coisas estejam se afastando cada vez mais do Senhor.

Se, no entanto, estamos dispostos a sofrer perda e a deixar de lado tudo aquilo que impede desfrutarmos o gozo de Sua doce companhia, então podemos estar certos de que Ele não nos deixará faltar o que comer e o que vestir. Cremos que as Escrituras são hoje tão verdadeiras como sempre o foram: "Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6:33).

Fazemos bem em lembrar que para o crente é dito: "Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nEle, como também padecer por Ele" (Fp 1:29). (H. H. Snel)

Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 O que é uma bênção?

Uma bênção é um favor de Deus, algo que nos faz bem. Deus gosta de nos abençoar e criou o mundo com o propósito de ser bom. Ele nos oferece bênçãos abundantes e variadas.

A maior bênção que Deus nos dá é a salvação. Nada é mais importante que o perdão dos pecados e a promessa da vida eterna! Não precisamos fazer nada de especial para conquistar essa bênção. Basta crer em Jesus como nosso salvador.

As bênçãos mais importantes são fruto da salvação: paz, alegria, esperança, amor… Essas são as bênçãos verdadeiras, que somente podem ser encontradas em Deus. Ele nos oferece Suas bênçãos espirituais em abundância!

Como alcançar as bênçãos de Deus?

Deus nos oferece a maior bênção de todas de graça! Basta crer. Quem tem uma vida dedicada a Deus recebe muitas bênçãos, que não dependem das circunstâncias em que vive.

Como receber as bênçãos de Deus?

O primeiro passo para receber as bênçãos de Deus é crer. A salvação é para todo aquele que crer em Jesus. E junto com a salvação vem a promessa de várias outras bênçãos, que podemos receber pela fé:

Vida nova, livre da escravidão e da condenação do pecado - Romanos 8:1-2

Adoção como filhos de Deus - Romanos 8:16-17

Esperança para o futuro, porque temos a promessa da vida eterna - 1 Pedro 1:3-5

Paz que vem de Jesus - João 14:27

A presença do Espírito Santo, que nos ensina, orienta e capacita - João 16:13

Capacidade para entender a verdade de Deus - 1 Coríntios 2:12

Também podemos pedir bênçãos a Deus (Mateus 7:11). Quando pedimos, Ele dá:

Sabedoria a quem pede com fé - Tiago 1:5-8

Mais do Espírito Santo - Lucas 11:13

Ajuda para espalhar o evangelho - Mateus 9:37-38

Essas bênçãos vêm no tempo certo, quando Deus sabe que vamos precisar delas.

Deus tem bênçãos especiais para cada um. Os problemas não vão todos desaparecer mas as bênçãos de Deus são maiores. Tudo que nós precisamos fazer para ter a vida plena e cheia de bênçãos que Ele nos oferece é crer, pedir e andar sempre em Seus caminhos.

A partir da formação da Igreja com a simultânea descida do Espírito Santo para habitar na terra, as bênçãos terrenas deixaram de ser prometidas como eram no Antigo Testamento, pois Deus estava tratando agora com um povo cuja cidadania é celestial, não terrena. "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo." (Fp 3:20). Para a Igreja as bênçãos já foram todas entregues, e cada um que crê em Cristo as recebe no momento em que crê, não uma ou duas, mas todas elas.

Porém não são bênçãos terrenas, e sim espirituais e não estão aqui, mas nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Se você creu em Cristo como seu Salvador, você é agora membro do corpo de Cristo e tem à sua disposição todas elas em Cristo. Veja o texto: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo." (Ef 1:3). Ninguém no Antigo Testamento jamais recebeu "todas as bênçãos espirituais"; no máximo algumas bênçãos materiais.

As bênçãos dadas ao cristão são infinitas e eternas, porque estão em Cristo Jesus.

Mas o que dizer de nossas necessidades materiais, saúde, proteção etc.? Não devemos pedir essas coisas a Deus? É claro que devemos pedir e ele nos dará conforme a nossa necessidade. E quando a recebermos devemos agradecer por sabermos que qualquer misericórdia ou benefício vem das mãos do Pai. "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." (Tg 1:17). Mas a vida do cristão neste mundo não tem seu foco nas bênçãos materiais e terrenas, como era o caso de Israel, e sim nas bênçãos eternas e celestiais que já possui em Cristo.



sexta-feira, 23 de outubro de 2020

 

A igreja e a tribulacao - C. H. Mackintosh

Talvez não exista uma doutrina errônea que tenha sido mais prejudicial às almas dos filhos de Deus do que aquela professada pelos que supõem que a igreja de Deus passará pela "grande tribulação". Tal declaração subverte a revelação de Deus acerca da Igreja como corpo e noiva de Cristo, reduzindo o povo celestial ao nível de associações judaicas, e os priva de uma atitude de expectativa e anseio pela vinda de Cristo a qualquer momento.


Tais pessoas mergulham em um ponto de vista político da vinda do Senhor, ao olharem para os acontecimentos ao invés de olharem para a Sua Pessoa, ou ao se preocuparem mais com o aparecimento do anticristo do que com o de Cristo. Desta forma, as afeições, consciência e esperança da alma ficam seriamente danificadas por tal doutrina.

Nada pode estar mais claro nas palavras de despedida que o Senhor dirigiu aos Seus discípulos antes de subir para o Pai, do que o fato de que os deixou de posse da bendita expectativa de poderem vê-Lo muito em breve. Entre a vinda do Espírito Santo e a volta do Senhor dos céus, Ele não colocou uma série de eventos que tivessem que se cumprir. Por isso nos é dito que os primeiros cristãos esperavam pelo Filho de Deus vindo dos céus.

A parte das Escrituras que tem sido pervertida para dar base à essa doutrina é Mateus 24. Porém, um breve exame dela mostrará que a "vinda" à qual os discípulos se referem, em suas perguntas ao Senhor, não era a Sua vinda para nós, mas a Sua vinda para Jerusalém, quando viremos com Ele e quando todo olho O verá descendo sobre as nuvens dos céus com poder e grande glória (Mt 23:39; 24:3). Aqueles que são ali mencionados passarão pela tribulação. Eles são os "Seus eleitos", que é um termo aplicado por Isaías ao remanescente de judeus consagrados.

As referências feitas nos versículos que se seguem mostram com clareza que se referem ao tempo da "angústia de Jacó" (Israel), o qual ele terá que passar e do qual será livrado: "no sábado" (v.20)"na Judéia" e "fujam para os montes" (v.16); "carne se salvaria" (v.22)"a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel" (v.15); "grande aflição (tribulação), como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver" (v.21). Ela é precedida pela pregação do "evangelho do reino" (v.14), não pelo evangelho da graça, conforme é agora pregado. Trata-se da "hora da tentação" caindo sobre todo o mundo, da qual o Senhor promete nos salvar. "Como guardaste a palavra da Minha paciência, também Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na Terra" (Ap 3:10).

É interessante observar que quando nosso Senhor fez referência à Sua rejeição pelos judeus - Judá e Benjamim, as duas tribos - Ele disse, "Eu vim em nome de Meu Pai, e não Me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis" (Jo 5:43). Esta, sabemos por outras passagens, é a forma como será introduzida a incomparável tribulação, e, em justa retribuição, as próprias tribos que rejeitaram o Messias irão passar por ela. As dez tribos só serão reunidas depois disso, quando o Senhor descer dos céus (Mt 24:31). (C. H. Mackintosh)
Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 O Castigo Eterno - H. Bouter Jr.

O que as Escrituras dizem concernente à natureza do castigo eterno? Os cristãos que levam a Bíblia à sério creem na natureza perpétua do castigo eterno. Por mais horrível que isso possa parecer, o castigo no inferno não tem fim. A Bíblia também expõe claramente as características do castigo eterno. Aqueles que defendem a doutrina do Universalismo minimizam o significado do castigo eterno, tanto no sentido de sua extensão quanto de seu teor. Afirmam, por exemplo, que "...as Escrituras não ensinam um castigo literal, porém descrevem o inferno simplesmente no sentido metafórico, já que usam palavras como fogo, verme e trevas, que são apenas imagens e não deveriam ser tomadas literalmente. Onde existe fogo" — afirmam os Universalistas —, "não poderiam existir trevas simultaneamente". Todavia as Escrituras falam de três coisas para nos apresentar a natureza do castigo eterno: fogo inextinguível, verme que não morre e trevas exteriores. Vamos considerar cada uma dessas características uma a uma.

Fogo eterno

Existem vários nomes usados para isso: “a fornalha de fogo” (Mt 13:42 , 50; cf. Ap 9: 2), “fogo eterno” (Mateus 18: 8), “inferno, .. o fogo que nunca se apaga” (Mc 9:43). O fogo eterno do inferno (Gehenna), o lago de fogo, está preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25:41; cf. Ap 20:10). O fato de que não serão apenas anjos, mas também pessoas que serão lançadas neste fogo que nunca se apaga — eternamente na companhia do príncipe dos anjos caídos — será porque, durante sua vida aqui na terra, elas não se afastaram o príncipe e deus desta era que cegou suas mentes (2 Co 4:4).

Esta primeira figura descreve como os ímpios serão torturados pelo fogo eterno do juízo. O fogo é um símbolo da ira de Deus, que é chamado de “fogo consumidor” e “fogo eterno” (Dt 4:24; Dt 9:3; Isaías 33:14; Hb 12:29). É questionável, no entanto, se deveríamos estar pensando aqui sobre o atributo pessoal de Deus, ao invés de sua expressão externa que atingirá os ímpios por toda a eternidade. De fato, seríamos capazes de imaginar o “lago de fogo”? Isso também é chamado de “o lago de fogo e enxofre”, o que talvez sugira que esse quadro é parcialmente derivado do julgamento de Sodoma e Gomorra, quando Deus fez chover enxofre e fogo dos céus (Gn 19:24 etc.) e também da palavra “fornalha” no versículo 28).

Embora seja correto dizer que a Escritura usa linguagem figurada para descrever a realidade do céu e do inferno, isso não altera de modo algum o fato de que estamos lidando com a existência literal de lugares e coisas reais. Essas imagens são emprestadas de nossa realidade terrena para nos dar uma compreensão de outra realidade sobrenatural. Por exemplo, o nome Gehenna (inferno) foi derivado do vale do filho de Hinom, (em hebraico “Ge-Hinnom”), perto de Jerusalém, onde crianças foram queimadas como sacrifícios para Moloque e onde, após as reformas de Josias, todos os tipos de imundícies foram coletadas e queimadas (2 Rs 23:10; 2 Cr 28: 3; 33: 6; Jr 32:35).

O lugar onde o verme não morre

O inferno também é o lugar onde o verme não morre. Uma comparação com Isaías 66:24 e Atos 12:23 mostra que isso indica o processo de decomposição de um cadáver na sepultura. Esse processo começou com o próprio Herodes mesmo enquanto ele ainda estava vivo, sendo um julgamento de Deus por causa de seu orgulho. Ele foi comido por vermes e morreu. Enquanto o processo de decomposição no túmulo normalmente termina, não é o caso da segunda morte. No inferno seu verme (singular!) não morre e o fogo não se apaga (Mc 9:48). Isso geralmente recebe um significado espiritual, estando conectado com o interminável remorso dos perdidos. O roer do verme, então, se refere ao fato de eles serem consumidos pelo remorso e/ou pelo medo, nas agonias sofridas ali. Como a expressão “seu verme” está no singular, seria fácil identificar o verme com a consciência individual. Embora esta seja uma explicação muito plausível, pode-se objetar que parece ignorar o “consumo” do corpo. Se considerarmos que após o fim do reinado de Cristo os perdidos serão ressuscitados e julgados e então lançados na segunda morte com espírito, alma e corpo (Ap 20: 5- 11 etc.), isso sugere que o mesmo corpo estará sujeito a uma destruição sem fim, a um “processo de decomposição” sem fim.

Os perdidos são referidos como “os mortos” e serão designados para o reino que é chamado de “a segunda morte”. Aqui tudo é marcado pela morte; a morte tem poder sobre os “mortos”. De acordo com Apocalipse 20 esta segunda e última morte é “o lago de fogo”. O reino da morte, onde o verme não morre é, portanto, também um lugar de tormento no sentido físico. Essa ideia é confirmada pelas palavras do próprio Senhor: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” (Mt 10:28).

Trevas exteriores

A terceira figura dada é aquela das trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes (Mt 8:12; 22:13; 25:30; 2 Pe 2:17; Jd 13). Esta figura também foi tirada da realidade terrena. Dentro do salão de banquetes há alegria e luz, mas lá fora é noite e aqueles que estão fora não compartilham da alegria dos que estão dentro. Esta figura mostra o nítido contraste com a atmosfera de alegria e luz na casa do Senhor, em Seu reino. Pois esta é a sala de banquete onde a festa de casamento é realizada e onde a comunhão com Deus é desfrutada. Deus é luz, e não há nele treva nenhuma (1 Jo 1: 5). Os incrédulos foram removidos deste reino de luz e amor. Assim como as virgens loucas, elas estão na escuridão, diante de uma porta fechada (Mt 25:10 etc.), e assim como Judas, elas saem pela noite (Jo 13:30). Estão separados de Deus para sempre e vivem nas trevas, longe de Sua face gentil. Neste lugar de escuridão exterior, não há sequer um raio de luz a ser visto e não há mais esperança nem expectativa. Há apenas uma escuridão impenetrável. É um lugar de choro, de sofrimento eterno. Há também ranger de dentes. Isso pode se referir não apenas ao remorso, mas também à raiva; uma eterna rebelião contra Deus. Choro e ranger de dentes são certamente características tanto da escuridão exterior quanto da fornalha de fogo (Mt 13:42, 50). Isso indica claramente que as duas figuras, a do fogo e a da escuridão, são aproximadamente a mesma realidade aterradora.

Embora chocante, é benéfico refletir sobre essas coisas, pois isso nos ajuda a perceber até certo ponto o quanto o Senhor deve ser temido (2 Co 5:11), e essa consciência nos leva a persuadir os outros. Como já foi mencionado, esta terceira imagem do castigo eterno levanta a questão de como as trevas exteriores podem ser combinadas com o fogo inextinguível da primeira imagem. O fogo se espalha e onde o fogo queima não pode ser escuro. No entanto, não devemos tirar conclusões da realidade física ao nosso redor e aplicá-las a realidades sobrenaturais que estão além de nossa compreensão. Por outro lado, devemos certamente levar a sério os conceitos indicados por essas imagens, por exemplo, não limitando as trevas a algo como “escuridão moral”. As Escrituras usam claramente essas imagens aparentemente contraditórias para nos dar uma impressão, a partir de diferentes pontos de vista, da seriedade do castigo eterno.

H. Bouter Jr. - extraído de “Truth & Testimony” Vol. 2, No. 2, 1993

via stempublishing.com/magazines/TT/93_02.html

Tradução Marcio Freitas

Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/


terça-feira, 20 de outubro de 2020

 Haverá morte no céu?

Esta é a grande dificuldade da maioria dos cristãos por não entenderem as dispensações e as diferentes promessas feitas a Israel e à Igreja. Israel é o povo terreno de Deus que, embora esteja no momento deixado de lado por sua desobediência, voltará a ser tratado por Deus depois do arrebatamento da Igreja. Vamos ver o versículo dentro do contexto:

Isa 65:19-25 "E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; porém o pecador de cem anos será amaldiçoado. E edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos. Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a perturbação; porque são a posteridade bendita do SENHOR, e os seus descendentes estarão com eles. E será que antes que clamem eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR". 

Observe que esta cena se passa na terra, e não no céu. No céu ninguém precisará plantar ou comer, e não haverá animais. Também não será preciso edificar casas e nem haverá quem morra aos cem anos ou pecador. Esta é uma descrição do reino de Cristo na terra, quando ele voltar para salvar o seu povo Israel e cumprir todas as promessas que fez para aquele povo no Antigo Testamento. 

Esta é a vinda que ocorre após ele ter vindo até metade do caminho -- nos ares -- para se encontrar com os que serão ressuscitados ou transformados para habitarem no céu. À vinda em que o Senhor vem para buscar sua Igreja nos ares damos o nome de arrebatamento e é dela que fala 1 Ts 4:13-18. A vinda de Jesus para o mundo e para Israel é a descrita em 2 Ts 2:8. Entre o arrebatamento da Igreja e a vinda de Cristo para reinar ocorre o que está descrito em 2 Ts 2:2-12, Mt 24:7-51, Mt 25:31:46 e outras passagens.

No Antigo Testamento não havia sido feita ainda a revelação da Igreja, portanto você não ouvirá falar ali dos santos aos quais foi prometido o céu. Todas as promessas são para a terra, uma terra transformada, mas ainda assim na terra. Os evangelhos também ainda são para os judeus, portanto ali também fala do reino de mil anos na terra, no qual entrarão não pessoas ressuscitadas, mas no próprio corpo natural. Obviamente, por a terra ser transformada, essas pessoas terão saúde perfeita, não serão mais tentadas exteriormente (Satanás está preso durante mil anos) e se obedecerem os mandamentos viverão. Esta era a promessa que acompanhava a lei dada a Moisés:

Lev_18:5  Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR.

Esse "viverá" é no sentido de não morrer, e não de uma promessa de vida eterna no céu. Do mesmo modo, quando você lê em Mateus 24 que "aquele que perseverar até ao fim será salvo" (vers. 13) e que "se aqueles dias [da grande tribulação] não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria" (vers. 22), está falando de salvação do corpo, da vida natural, de pessoas vivas que entrarão vivas no reino milenial de Cristo na terra, e não da salvação eterna que hoje é prometida no céu a todo aquele que crê em Jesus. 

Os descritos em Mateus 24 e 25 serão judeus (veja que Mateus 24 fala da judeia), os "pequeninos irmãos" do Senhor, que se converterão durante a tribulação, e entrarão no reino juntamente com as "ovelhas", os gentios de Mateus 25 que acolheram e protegeram o remanescente de judeus perseguidos durante a grande tribulação. Os "bodes", que perseguirão o remanescente judeu fiel, serão mortos e condenados antes da inauguração do reino de mil anos.

Sendo assim, as promessas de vida que você encontra no Antigo Testamento não são de vida eterna e foram feitas a esses israelitas, e não à Igreja que não havia sido revelada ainda (era um segredo que só seria revelado a Paulo e aos outros apóstolos depois da formação da Igreja em Pentecostes - Atos 2). 

O reino de Cristo na terra será um reino como se ele o tivesse estabelecido se ele tivesse sido recebido pelos judeus quando esteve aqui. Haverá cidades, plantações, governos, estradas, meios de transporte e tudo o que você encontra na civilização atual, exceto que Satanás não poderá interferir em nada. Mesmo assim, as pessoas estarão vivendo em seus corpos naturais e perecíveis, apesar de gozarem de uma saúde perfeita e terem acesso a curas que não temos hoje. Porém, aqueles que mesmo assim pecarem serão mortos.

No livro "Acontecimentos Proféticos", de Bruce Anstey, o juízo e pena de morte decorrente do pecado nesse tempo é descrito assim:

"Se o mal se manifestar durante o reino de Cristo (o Milênio), ele será julgado abertamente assim que surgir. Aqueles que pecarem irão pecar sem um tentador, pois Satanás estará em cadeias nessa ocasião. Um pergaminho voador de juízo (linguagem simbólica) sairá do Senhor para percorrer toda a terra e cair sobre qualquer um que praticar o mal. Essa erradicação dos pecadores da terra ocorrerá todas as manhãs ao longo dos mil anos de reinado de Cristo". Os versículos citados para demonstrar isso são estes:

Zac 5:1-4 "E outra vez levantei os meus olhos, e vi, e eis um rolo volante. E disse-me o anjo: Que vês? E eu disse: Vejo um rolo volante, que tem vinte côvados de comprido e dez côvados de largo. Então disse-me: Esta é a maldição que sairá pela face de toda a terra; porque qualquer que furtar, será desarraigado, conforme está estabelecido de um lado do rolo; como também qualquer que jurar falsamente, será desarraigado, conforme está estabelecido do outro lado do rolo. Eu a farei sair, disse o SENHOR dos Exércitos, e ela entrará na casa do ladrão, e na casa do que jurar falsamente pelo meu nome; e permanecerá no meio da sua casa, e a consumirá juntamente com a sua madeira e com as suas pedras". 

Slm 101:3-8 "Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim. Um coração perverso se apartará de mim; não conhecerei o homem mau. Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não suportarei. Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá. O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos. Pela manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade do SENHOR todos os que praticam a iniquidade". 

Sof 3:5 "O SENHOR é justo no meio dela; ele não comete iniquidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; mas o perverso não conhece a vergonha" [aqui apresentado como um princípio, mas que será colocado totalmente em prática no milênio]. 

Slm 34:12 "Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano. Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a. Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor. A face do SENHOR está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória deles". 

Obviamente nada disso acontecerá no céu, onde não existirá morte e a Igreja estará com Cristo reinando juntamente com ele sobre a terra (e não "na terra").

Apo_5:10  E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

Hoje as pessoas pedem por um mundo de mais justiça, mas pouco entendem que um mundo com justiça perfeita será assim, com juízo implacável a cada manhã contra quem pecar. Tudo isso foi previsto para Israel e assim será. A maioria dos cristãos, porém, não entende essa diferença e tenta se apossar das promessas que Deus fez a Israel no Antigo Testamento como se fossem promessas para a Igreja. 

Alguns querem as promessas de prosperidade e enchem igrejas pentecostais em busca disso, quando nenhuma prosperidade foi prometida à Igreja nas epístolas dos apóstolos. Outros querem as promessas de poder e enviam suas tropas para invadir países com o argumento de que o mundo precisa ser cristianizado. Foi assim nos séculos de trevas do catolicismo e ainda é assim, de forma velada, pela política expansionista norte-americana. Enquanto isso Israel na sua incredulidade tenta se firmar na terra prometida por seus próprios esforços e com a ajuda dos Estados Unidos, porém não foi essa volta à terra que Deus lhes prometeu, em incredulidade e fundamentada no poder das armas.

Texto Original: Mario Persona - https://www.respondi.com.br/


sábado, 17 de outubro de 2020

 Anjos tem asas?

Quando você lê a palavra "anjo" na Bíblia, seu sentido original é "mensageiro" o "enviado", e não aquele anjo de asas que vemos nos filmes e nos gibis.

Na maioria das vezes os anjos aparecem na Bíblia na forma humana e podiam ser confundidos com homens comuns. Geralmente, dependendo da tradução que você utilizar, "o anjo do Senhor" significa o próprio Senhor Jesus vindo em forma humana (antes de nascer neste mundo nos evangelhos), como quando ele apareceu a Abraão e teve uma refeição com ele sob uma árvore.

Quando você encontra "um anjo do Senhor" provavelmente esteja se referindo a um anjo. Mas a palavra anjo é usada também para seres humanos em posição de responsabilidade ou quando são enviados para alguma missão, pois este é o significado da palavra.

Apenas quando são mencionados os querubins e serafins é que são descritas asas. É o caso das imagens que Deus ordenou que fossem colocadas sobre a tampa da arca da aliança:

Êxo 25:20 Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as suas asas o propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.

Ezequiel tem uma visão de querubins com asas, porém por se tratar de uma visão não é simples entender o que é real ou material, e o que é apenas uma figura com um significado atrelado a ela:

Eze 10:5-21  E o estrondo das asas dos querubins se ouviu até ao átrio exterior, como a voz do Deus Todo-poderoso, quando fala. E apareceu nos querubins uma semelhança de mão de homem debaixo das suas asas. E, andando os querubins, andavam as rodas juntamente com eles; e, levantando os querubins as suas asas, para se elevarem de sobre a terra, também as rodas não se separavam deles. E os querubins alçaram as suas asas e se elevaram da terra aos meus olhos, quando saíram; e as rodas os acompanhavam e pararam à entrada da porta oriental da Casa do SENHOR; e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles. Cada um tinha quatro rostos e quatro asas e a semelhança de mãos de homem debaixo das suas asas.

Veja que mesmo neste caso se Ezequiel fosse desenhar um retrato do que viu teríamos seres de quatro asas e quatro rostos, e não os anjos comumente vistos nos filmes ou os anjinhos barrocos encontrados na decoração dos templos católicos. Já Isaías teria desenhado os serafins de sua visão com seis asas:

Isa 6:2 Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam.

É claro que não podemos descartar o fato de essas asas serem apenas simbólicas, pois na Bíblia encontramos passagens nas quais até o próprio Deus é mencionado como tendo asas de penas:

Slm 91:4 Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade é escudo e broquel.

Zacarias também tem uma visão de mulheres com asas:

Zac 5:9 E levantei os meus olhos e olhei, e eis que duas mulheres saíram, agitando o ar com as suas asas, pois tinham asas como as da cegonha; e levantaram o efa entre a terra e o céu.

Texto Original: Mario Persona - https://www.respondi.com.br/


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 Soberania e responsabilidade - F. B. Hole

Que Deus é soberano e que o homem, embora caído, é uma criatura responsável, são dois fatos que estão bem claros nas Escrituras. É quando estudamos estes dois fatos em suas implicações que nos vemos diante de uma dificuldade intelectual. É fácil colocarmos todo o peso de um lado, enquanto ignoramos quase completamente o outro. Os dois extremos são conhecidos como Hiper-Calvinismo e Arminianismo.

O Hiper-Calvinismo é o pensamento religioso que enxerga nas Escrituras pouco mais do que a soberania de Deus na eleição. A responsabilidade humana é de tal maneira deixada de lado, ou até mesmo negada, que o homem acaba reduzido a um mero fantoche. O homem fica como um brinquedo nas mãos do destino. Se ele for eleito, então DEVE ser salvo, seja como for; se não for eleito, ele DEVE ser condenado, e ponto final.

O Arminianismo, por outro lado, enxerga quase que somente o fato da responsabilidade do homem, geralmente com a total exclusão da soberania de Deus e da operação de Seu Espírito em graça na alma dos homens. O homem é um ser livre e desimpedido no exercício de sua própria vontade, portanto qualquer coisa que o persuadir a ter força de vontade na direção correta é considerado válido.

O espírito do Hiper-Calvinismo é fatal para qualquer zelo e energia na obra do Evangelho. Como consequência, aqueles que pensam assim menosprezam de todas as maneiras possíveis esse tipo de energia. Se os homens estão espiritualmente mortos, para quê pregar para mortos? Por que dizer "Arrependam-se!" a pessoas que não podem se arrepender, ou "Creiam!" àqueles que não podem crer? Além do mais, acaso Deus não é capaz de cuidar daquilo que é Seu? Será que Ele requer nossa intromissão na salvação dos Seus eleitos? Ainda que venhamos a cobrir terra e o mar em nosso zelo pelas almas, nenhum além dos eleitos será salvo; e se cruzarmos os braços e não fizermos coisa alguma, nenhum dos eleitos se perderá. Portanto a inatividade é a única solução possível, e todo o esforço dos servos do Senhor não passa de pura perda de tempo e energia.

Às vezes nos perguntamos por que este tipo de argumento parece ser usado apenas contra o esforço evangelístico. Se o argumento fosse válido, ele deveria valer também para todas as demais formas de serviço cristão. Acaso Deus não é capaz de cuidar dos Seus eleitos sem nossos esforços de edificá-los? Porventura a obra soberana do Espírito não irá edificar o progresso dessas almas sem a necessidade do trabalho de pastores e mestres, ou até mesmo sem o pequeno esforço de escrever este texto? Aqueles que defendem tais idéias parecem estar cegos ao fato de que estão serrando o galho em que estão sentados.

Atualmente o extremo Arminianista talvez seja o mais professado pelas pessoas verdadeiramente cristãs. Elas percebem a necessidade dos pecadores e se regozijam nas boas novas de perdão por intermédio do Salvador crucificado e ressuscitado. A grande questão é qual a melhor maneira de se chegar aos pecadores e persuadi-los a querer aceitar a Cristo e escolher a vida. Quanto mais ansiosos são esses cristãos, maior o perigo de usarem métodos questionáveis ou até antibíblicos. Os fins que acreditam precisar atingir acabam sendo considerados como suficientes para santificar e justificar os meios empregados.

Os resultados práticos disso são muito diferentes daqueles do outro extremo. No outro, tudo é estagnação; aqui tudo é movimento e sucesso aparente no início. Todavia estamos preocupados com os resultados finais. Ao terminar uma grande missão evangelística em Londres há alguns anos, o pastor de uma grande igreja tinha uma lista de mais de 50 nomes que professaram se converter. O pastor era um cristão empenhado, mas cerca de um ano depois ele confessou com tristeza que podia considerar apenas um deles como realmente convertido. Graças a Deus por aquele um! Mas quão triste saber que cerca de cinquenta podem ter sido levados pelo caminho errado apenas para ter um no caminho certo.

Vamos, pela graça de Deus, nos apossar desses dois grandes fatos - Deus é soberano em Seus caminhos de graça: o homem, apesar de caído, é uma criatura responsável e deve ser abordada como tal. A verdade da soberania divina está claramente mostrada nas Escrituras. Leia passagens como João 6:37-44; Romanos 9:10-24; Efésios 1:4; 1 Pedro 1:2. Do mesmo modo, é bem clara a responsabilidade do homem. Leia passagens como João 3:16-18; Romanos 2:6-16; 1 Pedro 4:5-6. Aceitemos, portanto, ambas as coisas, mesmo que não sejamos capazes de enxergar o suficiente para discernir como elas se encaixam.

Podemos, todavia, discernir isto: que a vontade do homem, se deixada ao seu bel prazer, jamais se voltará para Deus. A queda tornou sua vontade totalmente contrária a Deus. Isto é declarado de forma definitiva em Romanos 3:10-12. Está declarado primeiro que "não há UM justo"; isto é, ninguém está correto diante de Deus. Podemos argumentar que isto é verdade, mas que certamente algumas pessoas são mais sinceras e compreensivas do que outras, e são essas que se convertem. Mas não é assim, pois "não há NINGUÉM que entenda". Isto torna o problema do ser humano ainda mais sério - NENHUM justo, e NINGUÉM que entenda sua posição desesperadora. Porém, mais uma vez podemos argumentar que certamente alguns terão uma percepção - uma espécie de intuição - de sua necessidade de Deus, e assim irão buscá-Lo. Todavia, mais uma vez vemos que não é assim, pois "não há NINGUÉM que busque a Deus".

As palavras nenhum e ninguém encerram qualquer possibilidade de libertação se o homem for deixado por conta própria. Deus precisa intervir. Em outras palavras, Deus precisa exercer Sua ação soberana sobre o homem. Ele precisa operar por meio de Seu Espírito nos corações dos homens se for para algum deles buscar a Ele e a salvação que Ele oferece. Isto Ele faz conforme a Sua vontade, quando o Evangelho é pregado, já que "aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação". (1 Co 1:21)

Se alguém perguntar "se Deus, em sua misericordiosa eleição, quer salvar este e aquele, porque Ele não elege e salva a todos?", não saberemos responder. O que está por detrás de Suas decisões não nos é revelado, pois não passamos de Suas criaturas. Mas Ele Se revelou a nós em Cristo, e assim estamos certos de que o que Ele decidir é o correto, e no final todos verão o quão certo Ele sempre esteve.

Ao invés de procurarmos invadir os recônditos secretos das decisões e atos de Deus, que estão fora de nosso alcance, devemos do modo mais diligente e fervoroso possível anunciar o Evangelho, já que Ele revelou que é através deste que Ele Se agrada em salvar aqueles que crêem, como resultado da obra do Espírito de Deus em seus corações. - F. B. Hole

Texto Original: https://manjarcelestial.blogspot.com/



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

 

Verdades resgatadas - H. Brinkmann

Dificilmente existiria uma maneira melhor de caracterizar um crente que ensina do que fazê-lo por meio daquilo que ele escreveu sobre assuntos relacionados às Escrituras. Os dois esboços a seguir acerca da verdade, compilados por Heinz Brinkmann em abril de 1998, ilustram isso.

Será que os reformadores entenderam os pontos a seguir e teriam estes pontos sido resgatados durante a Reforma?

  1. A vocação celestial.
  2. Nossa entrada no santo dos santos (o santuário celestial) pelo sangue de Jesus.
  3. A diferença entre a igreja e o reino.
  4. A diferença entre o evangelho do reino e o evangelho da graça de Deus.
  5. O reino futuro para Israel.
  6. Se apartaram do pecado de Pergamo.
  7. O que significa estar em Cristo.
  8. Nossa posição perfeita diante de Deus.
  9. A verdade do corpo de Cristo. (Será que conhecer o termo é o mesmo que conhecer esta verdade?)
  10. A verdade da casa de Deus e sua ordem.
  11. O que significa guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
  12. Que o batismo nas águas não tem qualquer ligação com ser membro da igreja.
  13. O sacerdócio de Cristo, principalmente no sentido de Ele ser ministro do santuário.
  14. O que constitui uma ação da assembleia.
  15. Acaso eles conheceram e praticaram a verdade relacionada à presença do Espírito de Deus na igreja, que dirige e usa quem Ele quer?
  16. Acaso viram o erro do sistema clerical?
  17. Acaso entenderam a ruína da igreja e o testemunho remanescente?
  18. Entenderam o que é o arraial?
  19. Conheceram a libertação, isto é, o fato de estarmos mortos com Cristo, ou a justificação que traz a vida?
  20. Conheceram a diferença entre pecado e pecados?
  21. Que Cristo não guardou a lei para nós.
  22. Que a lei não é nossa regra de vida.
  23. O grande mistério.
  24. Que somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo.
  25. A diferença entre posição e condição.
  26. A diferença entre perdão eterno e governamental.
Todos estes 22 pontos fazem parte da verdade que foi recuperada há cerca de 190 anos, e não na época da Reforma. Alguns outros pontos poderiam ser acrescentados, mas estes são suficientes.

Um breve sumário daquilo que H. Brinkmann professava: "Todo o conselho de Deus" (Atos 20:27)"o modelo das sãs palavras" (2 Timóteo 1:13).
  1. A honra devida a Cristo (Salmo 26:8)
  2. A Palavra de Deus como única autoridade (Salmo 119:105; 2 Pedro 1:3)
  3. A obra completa de Cristo: Passado-Presente-Futuro (Mateus 11:28-30; Hebreus 4:9), além do sacerócio e advocacia de Cristo.
  4. A família de Deus e Deus como Pai (João 20:17; 1 João 3:1)
  5. O plano dispensacional das Escrituras: Judeu-Gentio-Igreja de Deus, todos eles distintos em sua origem, vocação e esperança (1 Coríntios 10:31)
  6. O nome de Cristo como único centro de reunião (Mateus 18:20; 12:30)
  7. A assembleia como a revelação dos conselhos de Deus (Efésios 3:8; Mateus 13:45-46; 1 Coríntios 4:1-2) e "um corpo", "casa de Deus" e "noiva de Cristo"
  8. Um testemunho remanescente (Hebreus 13:8)
"A igreja, assim como em todas as épocas das escrituras, tem visto a ruína do homem na verdade que lhe foi confiada. Quando a maioria atinge um ponto que está além da recuperação, Deus chama um remanescente que, em seu coração, retorna aos primeiros princípios".
Texto Original: Heinz Brinkmann (1930-2010) - https://manjarcelestial.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

 O que e' apostasia?


Apostasia é o abandono da verdade. Sempre que alguém se desvia da verdade pode ser considerado um apóstata. No sentido bíblico, acho melhor traduzir aqui algo que encontrei no Concise Bible Dictionary:

"Embora a palavra 'apostasia' não ocorra na Versão Autorizada, a palavra grega ocorre e é dela que a palavra inglesa provém. Em Atos 21:21 Paulo foi informado de que era acusado de ensinar os judeus que viviam entre os gentios a apostatarem de Moisés. Paulo ensinava a libertação da lei pela morte de Cristo e isso podia parecer a um judeu zeloso como apostasia. A mesma palavra é usada em 2 Ts 2:3, onde é ensinado que o dia do Senhor não poderia vir até que viesse 'a apostasia', ou o abandono do cristianismo em conexão com a manifestação do iníquo (anticristo).

"Embora a apostasia generalizada de que fala ali só possa ocorrer depois que os santos forem levados para o céu (arrebatamento), mesmo assim pode ocorrer, como tem ocorrido, um abandono individual da verdade. Veja, por exemplo, Hb 3:12; 10:26-28, e a epístola de Judas. Há avisos solenes também que mostram que esse tipo de apostasia ocorrerá cada vez mais e de modo generalizado à medida que a atual dispensação se aproxima de seu fim. 1 Tm 4:1-3. O abandono da verdade necessariamente implica uma posição que possa ser abandonada, uma profissão (de fé) que tenha sido feita e da qual se tenha deliberadamente desistido. Isto é, como dizem as escrituras, como o cão voltando ao seu vômito, e a porca que volta a revolver-se no lamaçal. Não se trata do cristão caindo em algum tipo de pecado, pois disso a graça pode recuperá-lo; mas trata-se de um definitivo abandono do cristianismo. As escrituras mostram que não existe esperança no caso da apostasia deliberada, mas mesmo assim nada é difícil de mais para o Senhor".

Texto Original: Mario Persona - https://www.respondi.com.br/


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

Conceição Aparecida - Padroeira dos católicos romanos do Brasil


Nesta matéria sobre o culto à Conceição Aparecida serão apresentados os argumentos pelos quais os evangélicos não aceitam essa prática romana, procurando esclarecer que aqueles que aceitam estão fora do padrão bíblico. O assunto é desenvolvido de modo claro e objetivo, sem desrespeitar a crença de milhões de brasileiros católicos romanos.


Por Alberto Alves da Fonseca

O Padre Júlio J. Brustoloni, missionário redentorista, no seu livro 'História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida - A Imagem, o Santuário e as Romarias' - p. 115 , após achar que a imagem é motivo de contradição para muitos crentes (protestantes e evangélicos), especialmente os de Igrejas Pentecostais, diz "O mais grave não é negar o culto à Imagem de Nossa Senhora Aparecida, mas sim não aceitar o papel de Maria no plano de salvação estabelecido por Deus. Eles aceitam que o seu Filho nasceu de uma mulher, Maria, mas não reconhecem o culto devido àquela Mulher que esmagou com sua descendência a cabeça do demônio, e que, por vontade de Deus, foi colocada em nosso caminho de salvação para interceder por nós", com um único versículo da Bíblia provavelmente muito conhecido pelo padre, essa sua teoria é desmontada: "Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestará culto"( Mt 4.10b), além do mais, não acreditamos que aquela imagem de barro intitulada "Nossa Senhora da Conceição Aparecida" seja um retrato de Maria, mãe do Senhor Jesus Cristo conforme nos revela a Bíblia Sagrada.

São declarações como a do padre Júlio J. Brustoloni, ou o espantoso livro de S. Afonso de Ligório 'As Glórias de Maria' que transfere sem a menor cerimônia todos os atributos e honras que pertencem exclusivamente ao Senhor Jesus para Maria (ver Defesa da Fé no. 8 - p.26-36 - Odeiam os evangélicos Maria a mãe de Jesus?), ou a tentativa marabalística da CNBB com o livreto 'Com Maria, Rumo ao Novo Milênio' - uma forçosa tentativa de justificar o culto mariano, é que nos leva a pronunciar, mostrando um outro caminho, aquele da Bíblia, sem retórica, sem esforço, sem marabalismo, mas cândido, sereno e verdadeiro, com todo respeito e amor aos católicos romanos, que todo cristão deve ter, mas firmes no tocante a sã doutrina (2 Tm 4.1-5).


Que imagem é essa?


Trata-se de uma pequena imagem de barro, medindo 39 centímetros e pesando 4350 gramas, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados. As Ánuas dos Padres Jesuítas de 15 de janeiro de 1750, dizem que: "Aquela imagem foi moldada em barro, de cor azul escuro; é afamada por causa dos muitos milagres realizados". Já o Dr. Pedro de Oliveira Neto, que estudou a imagem, apresentando o resultado em 13 de abril de 1967 afirma que: "A imagem encontrada pelos pescadores junto ao Porto de Iguaçu, e que hoje se venera na Basílica Nacional, é de barro cinza claro,como constatei, barro que se vê claramente em recente esfoladura no cabelo" . A mesma conclusão chegaram os artistas do MASP - Museu de Artes de São Paulo em 1978 declarando: "Constatamos pelos fragmentos da Imagem em terracota, que ela é da primeira metade do século XVII de artista seguramente paulista, tanto pela cor como pela qualidade do barro empregado e, também, pela própria feitura da escultura". Essa pequena imagem feita de barro é a padroeira dos católicos romanos do Brasil que para eles representa Maria para o catolicismo romano.

Segundo o Dr. Pedro de Oliveira Neto a imagem de barro foi feita por um discípulo do Frei Agostinho da Piedade: "A Imagem de Nossa Senhora Aparecida é paulista, de arte erudita, feita provavelmente na primeira metade de 1600, por discípulo, mas não pelo próprio mestre, do beneditino Frei Agostinho da Piedade". Os estudiosos observando o estilo da imagem concluíram que o autor da imagem foi o Frei Agostinho de Jesus, provavelmente foi esculpida em 1650, no mosteiro beneditino de Santana de Parnaíba,SP.


Como a imagem da Conceição Aparecida foi aparecer nas águas do rio?


Apresentaremos algumas hipóteses bastante plausíveis, embora nunca teremos a certeza do fato, nossa análise estará sendo desenvolvida em cima de possibilidades culturais, religiosas e históricas. O livro de Gilberto Aparecido Angelozzi - Aparecida a Senhora dos Esquecidos, Ed Vozes- Capítulo III - p. 55-66, expõe alguns possíveis motivos sobre o assunto em questão.

Partindo do princípio que realmente os pescadores acharam a imagem da 'Conceição Aparecida' no rio, podemos então desenvolver as seguintes idéias:


A teoria de que a imagem foi trazida pelos colonizadores brancos

1 por famílias que se estalaram no vale do Paraíba;

2 pelos bandeirantes, já que eles carregavam imagens de Maria por onde quer que passassem;

3 pelos muitos missionários carmelitas, franciscanos e jesuítas que passaram por aquela região;

4 por algum comerciante ou vendedor ambulante e em sua bagagem ter sido quebrada;

5 poderia fazer parte de um oratório familiar e ao ter sido quebrado o pescoço da imagem ter sido lançado ao rio;


A teoria de que a imagem foi lançada no rio por escravos negros

6 devido ao sincretismo religioso algum escravo negro poderia associar a imagem a de algum orixá, especialmente aos que estão ligados as águas;

7 poderia ter lançado a imagem nas águas como um oferecimento a algum orixá, fazendo pedidos relacionados a saúde (engravidar, gravidez de risco, proteção a criança etc);

8 poderia ter sido lançado nas águas pedindo riquezas (ouro);


A teoria das lendas indígenas

9 lendas indígenas dão conta de que eles criam na grande cobra que habitava nos rios "Cobra Norato" , que durante o dia era uma terrível cobra e à noite era um jovem que dançava com as moças, algum padre teria lançado a imagem para proteger os índios;

10 Outra lenda diz que na cidade de Jacareí apareceu uma grande cobra e alguém a enfrentou lançando a imagem da Imaculada Conceição ao rio, fazendo com a que a cobra fugisse;


A teoria oficial da Igreja Católica Romana

O catolicismo romano possui duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (I Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma (Annuae Litterae Provinciae Brasilianae, anni 1748 et 1749).

A narrativa basicamente diz que no ano de 1719, os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, lançavam suas redes no Porto de José Corrêa Leite, continuaram até o Porto de Itaguassu. Lançando João Alves a sua rede de rastro neste porto, tirou o corpo da Senhora sem cabeça, lançando mais abaixo outra vez a rede tirou a cabeça da mesma Senhora. Continuaram a pescaria, não tendo até então tomado nenhum peixe, dali por diante fizeram uma copiosa pescaria que encheu as canoas de peixes. Após esse "milagre" surgiram outros relacionados à imagem.


A explicação do Dr. Aníbal Pereira dos Reis

Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em Teologia e Ciências Jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro 'A Senhora Aparecida', Edições Caminho de Damasco Ltda, SP, 1988. Trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela , pároco da matriz local. Segundo o Dr. Aníbal em suas investigações concluiu que foi o padre José Alves Vilela que colocou ali no rio a imagem e planejadamente iniciou a divulgação dos supostos milagres, além de todo tempo estar manipulando a imagem e divulgando os supostos milagres.


Pequena cronologia da imagem


1717 - Pescadores pescam a Imagem da 'Conceição Aparecida';

1745-1903 - A festa principal da 'Conceição Aparecida' é celebrada em 08 de dezembro;

1888 - No dia 06 de novembro a princesa Isabel visita pela segunda vez a basílica e deixa como ex-voto uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis;

1904-1914 - A festa oficial passa a ser celebrada no primeiro domingo do mês de maio. Continuou a festa de 08 de dezembro, no entanto a de 08 de setembro passa a ser mais concorrida;

1929 - Celebra os 25 anos da Coroação de Maria com um Congresso Mariano;

1930 - No dia 16 de julho o Papa Pio XI assina o decreto que declara 'Conceição Aparecida' Padroeira do Brasil;

1931 - No dia 31 de maio, a imagem de barro da 'Conceição Aparecida' é declarada oficialmente na Capital Federal como a "Padroeira do Brasil". O presidente da época era o populista ditador Getúlio Dornelles Vargas.

Segundo o padre Júlio J. Brustoloni : "Na Esplanada do Castelo, outra multidão aguardava a chegada da Imagem Milagrosa. No grande estrado, junto do altar da Padroeira, encontravam-se o Presidente da República, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, Ministros de Estado, membros do Corpo diplomático credenciados junto do nosso governo, e outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. O Sr. Núncio Apostólico, dom Aloísio Masella, estava ao lado do Presidente e sua família. Na Esplanada, a Imagem percorreu as diversas quadras para que o povo pudesse vê-la de perto, e, ao chegar ao altar, Dom Leme deu-a a beijar ao Presidente e sua família. Um silêncio profundo invadiu a Esplanada, quando a Imagem foi colocada no altar. Após o discurso de saudação, Dom Leme iniciou o solene ato da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil". Segundo relata o padre Júlio, após a cerimônia o povo católico romano gritou : "Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pátria! Senhor Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!"


O que é idolatria


Vejamos algumas definições: Ídolo. S.m. 1. Estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um espírito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Idólatra. Adj. 2 g. 1. Respeitante à, ou próprio da idolatria. 2. Que adora ídolos. 3. Idolátrico (2). * s. 2 g. 4. Pessoa que adora ídolos; Idolatrar. V t. d. 1. Prestar idolatria (1) a; amar com idolatria (1); adorar, venerar. 2. Amar com idolatria (2), com excesso, cegamente. Int. 3. adorar ídolos; praticar a idolatria (1). Idolatria. SE. 1. Culto prestado a ídolos. 2. Amor ou paixão exa¬gerada, excessiva9. Idolatria- 1. Essa palavra vem do grego, eídolon, ídolo, e latreúein, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos ( 10).

O culto à imagem esculpida, deuses de fundição, imagem de escultura, estátua, figura de pedra, imagens sagradas ou ídolos é idolatria e profanam a ordem divina.

* Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4)

* Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lv 19.4)

* Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos¬soDeus (Lv26.1)

* Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ídolos inúteis... (SI 9 7.7)

* Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não fa¬lam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua gar¬ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam. (SI .115.4-9 e 135.15-18)

* A tua terra está cheia de ídolos, inclina¬ram-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. Pelo que o homem será abatido, e a humanidade humilhada; não lhes perdoes! (Is 2.8-9)

... Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8)

* O principal de todos os mandamentos é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc .12.29-30; Mt 22.37).

* Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo.4.23-24)

* Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 1 7.16)

* Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (1 Co 6.10-11; Ef5.5)

* Não vos façais idólatras, como alguns deles; como está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar (1 Co 10.7).

* E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois santuários do Deus vivente... (2 Co 12.2)

* As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (GI 5.5)

* Filhinhos, guardai-vos dos ídolos(1 Jo5.21)

* Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda mor¬te (Ap 21.8)

* Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap. 22.1 5). Deus proibiu ao seu povo a confecção e o culto a imagens, estátuas etc, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira ou outro material corruptível, um caráter religioso. Acreditavam, além do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa prática. O Deus Todo-Poderoso ensinou seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, homens exemplares, com todas as virtudes para serem canonizados (os heróis da Bíblia), não foram pretextos para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto. Deus proibiu seu povo de fabricar imagens de escultura, de fundir imagens para cultuá-las (Ex 20.23 e 34.1 7).

Algumas imagens que Deus mandou fazer não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem ser¬viam de modelo para reflexão ou conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Aliança; mandou fazer figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios (1 Rs 6.23-29; 1 Cr 22.8-1 3; 1 Rs 7.23-26) , além de outros ornamentos (1 Rs 7.23-28). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas, ou vistas como objeto de culto. Se os filhos de Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí- los. Foi isso o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (2 Rs 18.4).

Quando analisamos esta questão na história da nação de Israel, o povo que recebeu os mandamentos de Deus e a preocupação dos judeus religiosos em manter-se fiéis, podemos entender que, apesar do Antigo Testamento proibir a confecção de imagens relativamente, no entanto a adoração ou culto a imagens era absolutamente proibido: Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4b).

Em algumas sinagogas do século III e até hoje encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais etc, jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel.

Não encontramos argumento algum que justifique o culto, veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento.

* A Bíblia mostra que Paulo sofria por ver o povo entregue a idolatria: Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 1 7.1 6).

* Paulo foi atacado pelos artífices, ourives e comerciantes de imagens: Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande é a Diana dos efésios! (Atos 19.24-28)

O culto aos santos só começa a partir de cem anos, aproximadamente, depois da mor¬te de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires11. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação Sub tuum praesidium, formulada no fim do século III ou mais provavelmente no início do 1V12. Não podemos dizer que a veneração dos santos - e muito menos a da Mãe de Cristo - faça parte do patrimônio original13. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, aproximadamente no ano 100 d.C. , certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal prática. Ele, porém, nos adverte: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5.21). Na luta para justificar o culto às imagens, bem como seu uso nas Igrejas, os católicos apresentam a teoria da pedagogia divina.


A teoria da pedagogia divina para justificar o uso de imagens nas igrejas


D. Estevão Bettencourt resume assim a teoria: . . .0s cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isto, o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximarse do Filho de Deus14. Assim criaram a idéia de que, nas igrejas as imagens torna ram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. E o que notam alguns escritores cristãos antigos: O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente (S. Gregório de Nissa, Panegírico de S. Teodoro, PG 46,73 7d). O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados (São João Damasceno,De imaginibus 1 1 7 PG 94, 1 248c)5

Levando-se em consideração que um dos objetivos da Igreja Católica Romana é ensinar a Bíblia ao povo através das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surge-nos algumas perguntas: Por que se faz culto a elas, se o objetivo é ensinar a Bíblia? Por que após passar dezenas de anos, com milhares de católicos alfabetizados, ainda insistem em cultuar imagem? Se realmente a imagem fosse o livro daqueles que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados às imagens? Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? Onde está a base bíblica para esta Teoria da Pedagogia Divina? Será que a encarnação do verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los?

A Igreja Católica Romana apresenta basicamente duas fontes para justificar o culto às imagens: a tradição e as opiniões de seus líderes. Em resumo: opinião dos homens. Citam a Bíblia quando existe alguma possibilidade de apoio às suas doutrinas. Esquecem o ensino do famoso clérigo católico romano, Padre Vieira: As palavras de Deus prega das no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido em que nos queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do demônio16. A Palavra de Deus condena o culto às imagens.

Os argumentos do catolicismo romano a favor do culto às imagens fazem-nos lembrar de um rei na Bíblia, chamado Saul, que quis agra dar a Deus com sua opinião, mesmo contrariando frontalmente a Palavra de Deus (1 Sm 15.1-23). O catolicismo romano, de modo semelhante, contrariando a Bíblia, entende que a imagem é o livro daqueles que não sabem ler. O rei Saul, achava que oferecer sacrifícios era melhor, mais lógico, mais correto, mais racional. Acreditava que estava prestando um grande serviço a Deus (1 Sm 15.20-21). Deus, no entanto, o reprovou, dizendo: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à sua palavra? Obedecer é melhor do que sacrificar, e atender melhor é do que a gordura de carneiros (1 Sm15.22). Deus proíbe terminantemente o culto a ídolos e imagens (Ex 20.1 -6; Lv 26.1; Nm 33.52; Dt.27.15; 2 Rs .21.11; Sl115.3-9; 135.15-18; 1s2.18; 41.29; Ez 8.9-12; Mt4.1 1; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16).

O catolicismo romano ensina o culto à imagem inventando uma teoria, contrária à Bíblia e insiste em dizer que está fazendo isso para ajudar a obra de Deus. Ainda que Saul pensas se estar prestando um serviço a Deus, como fazem aqueles que prestam culto à imagem da Conceição Aparecida, seu ato foi uma desobediência à Palavra de Deus, e isso é considerado rebelião (1 Sm 15.21-26).A Bíblia diz: rebelião é como pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a iniqüidade de idolatria. Por quanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou... (1 Sm 1 5.2 3).

Prezado leitor, o culto às imagens será sempre uma abominação a Deus. E a marca e a continuidade do paganismo. Cristianismo é a fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo.3.1 6; Rm5.8; Ef2.8-9;1 Tm2.5;Tt2.11).E adoração exclusiva a Deus: .. Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8). O principal de todos os mandamentos é Ouve, á Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc 1 2.29-3Q~ Mt 92 37). Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24).


Entendendo a estrutura piramidal do culto da Igreja Católica Romana


LATRIA - ADORAÇÃO A DEUS


HIPERDULIA - DEVOÇÃO Á MARIA


DULIA- DEVOÇÃO AOS SANTOS E AOS ANJOS


A Dificuldade do Catolicismo Romano para justificar essa Teoria.

Se os católicos romanos se limitassem a exaltar os heróis da fé, e a propô-los como modelo a ser seguido, não haveria nenhum problema. Assim agem também os cristãos genuínos. Infelizmente, não é isso que acontece. Por mais que o líderes católicos romanos se esforcem em suas infindáveis apologias ou explicações, elas não passam de tentativas vãs e superficiais. Exemplo dessa tentativa é a teoria de três tipos de devoção: a dulia, a hiperdulia e a latria. Perguntamos: qual a diferença que pode haver entre a dulia e a hiperdulia? Qual a diferença das duas com a latria? A verdade é que os três termos se confundem. Os dois termos (dulia e hiperdulia) podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que não distingue coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem da Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa?

Imagine um católico romano bem instruí do que vai para o culto. Primeiramente ele pretende cultuar São João. Dobra então seus joelhos diante da imagem de São João e pratica a dulia. Depois, irá prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, de praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia. Finalmente, com intenção de cultuar a Deus, ele começa a praticar a latria. Não acreditamos que o povo católico ro mano saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse diferenciá-las, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.


Qual é a diferença?


Adoração e veneração. Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração, fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.


Culto aos santos. Analisando essas práticas católicas à luz da Bíblia e da história, fica claro que são práticas pagãs. O papa Bonifácio IV, em 610, celebrou pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o panteão romano (templo pagão dedicado a todos os deuses) por um templo cristão para que as relíquias dos santos fossem ali colocadas, inclusive Maria. Dessa forma o culto aos santos e a Maria17 substituiu o culto aos deuses e as deusas do paganismo.


Maria é deusa para os católicos? Os católicos manifestam um sentimento de profunda tristeza quando afirmamos que Maria é reconhecida como deusa no catolicismo. Dizem que não estamos sendo honestos com essa declaração, mas os fatos falam por si mesmos.O livro Glórias de Maria, publicado em mais de 80 línguas, da autoria de Afonso Maria de Ligório, canoniza do pelo Papa, atribui à Maria toda a honra e toda a glória que a Bíblia confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente, além de mencionar outros atributos divinos:

Sois onipotente, á Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto vós quereis18. .Os pecadores só por intercessão de Maria obtém o perdão 19..., O mãe de Deus vossa proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida20. Em vós, Senhora, tendo colocado toda a minha esperança e de vós espero minha salvação, . . . Maria é toda a esperança de nossa salvação, acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação21. Os querubins. A passagem bíblica dos querubins do propiciatório da arca da aliança (Êx 25.18-20), advogada pelos teólogos católicos romanos, não se re veste de sustentação alguma, pois não existe na Bíblia uma passagem sequer em que um judeu esteja dirigindo suas orações aos querubins, ou depositando sua fé neles, ou lhes pagando promessas. Esse propiciatório era a figura da redenção em Cristo (Hb 9.5-9). A Bíblia condena terminantemente o uso de imagem de escultura como meio de cultuar a Deus (Êx 20.4, 5; Dt 5.8, 9). O culto aos santos e a adoração à Maria, à luz da Bíblia, não apresentam o catolicismo romano como religião cristã, mas como idolatria (1 Jo 5.21). Jesus disse: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (M t 4.10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Ap .19.10; 22.9). Pedro recusou ser adorado por Cornélio (At.10.25,26).

Embora a Igreja Católica Apostólica Romana tenha declarado que a imagem de barro da Conceição Aparecida seja a Padroeira e Senhora da República Federativa do Brasil, consagrando o dia 12 de outubro a esse culto estranho às Escrituras Sagradas, os cristãos evangélicos, alicerçados na autoridade da Bíblia Sagra da, declaram como Paulo: E toda língua confesse que JESUS CRISTO E O SENHOR, para glória de Deus Pai (Fl 2.11).

Texto Original: https://www.icp.com.br/