Não nos deixes cair em tentação.
O último pedido da oração ensinada por Jesus é: “Não nos deixes cair
em tentação” (Lc 11:4). A palavra “tentação” aqui é no sentido de
teste ou prova, como quando testamos os freios do carro antes de uma
descida ou participamos de uma prova na escola. Repare que o pedido
não é para não sermos tentados, mas para não cairmos ou falharmos no
teste. Jó e Pedro foram testados assim e falharam, por confiarem em
si mesmos. Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser testado
pelo diabo e provou ser quem ele era: o Filho de Deus sem pecado e
incapaz de pecar.
Para o cristão é um privilégio passar por este tipo de tentação ou
provação, pois quando Deus a permite o objetivo é produzir algum
resultado em nós. Veja o que diz Tiago no primeiro capítulo de sua
carta: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de
passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua
fé produz perseverança” (Tg 1:2-4).
Pedro, o mesmo que foi reprovado, escreveu mais tarde exortando os
cristãos a se alegrarem naquilo que receberam em Cristo, ainda que
no momento presente, e por um pouco de tempo, fossem “entristecidos
por todo tipo de provação”. Ele explica a razão desses testes ou
provas que Deus permite: “Para que fique comprovado que a fé que
vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que
refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra,
quando Jesus Cristo for revelado” (1 Pe 1:6-7).
Mesmo assim devemos rogar ao Pai que não nos deixe tirar zero nas provas,
e que ele possa transformar essas experiências amargas em benefício para
nossas almas e em louvor para a glória de Deus. O Senhor Jesus podia
muito bem ficar no deserto quarenta dias sem comer e beber sendo testado
pelo diabo por ser o Filho de Deus, ao mesmo tempo Deus e Homem. Se ele,
que nunca falhou e nem poderia falhar em razão de sua natureza divina,
andou aqui em total dependência do Pai, quanto mais nós devemos imitá-lo,
buscando em Deus a capacidade para tirarmos boas notas nas provas pelas
quais devemos passar.
Este é um modelo perfeito de oração, pois cobre tudo. Primeiro vimos os
pontos relacionados a Deus, como o privilégio de chamá-lo de Pai, o
reconhecimento de sua glória e santidade por ele ser quem é, e a
expectativa dos novos céus e nova terra no final da história. Depois
falamos de nossas necessidades físicas e espirituais, ao pedirmos
pelo pão cotidiano -- e não mensal ou anual --, reconhecermos quem é
a fonte de nosso perdão e, finalmente, buscarmos em Deus a capacidade
para não falharmos nos testes ou provações. Mas lembre-se que
este modelo de oração foi dado antes que os discípulos tivessem
recebido o Espírito Santo e desfrutassem da certeza do perdão de
pecados.
Texto Original - Mario Persona - https://www.3minutos.net/
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