quinta-feira, 18 de junho de 2020

Não nos deixes cair em tentação.


O último pedido da oração ensinada por Jesus é: “Não nos deixes cair 
em tentação” (Lc 11:4). A palavra “tentação” aqui é no sentido de 
teste ou prova, como quando testamos os freios do carro antes de uma 
descida ou participamos de uma prova na escola. Repare que o pedido 
não é para não sermos tentados, mas para não cairmos ou falharmos no 
teste. Jó e Pedro foram testados assim e falharam, por confiarem em 
si mesmos. Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser testado 
pelo diabo e provou ser quem ele era: o Filho de Deus sem pecado e 
incapaz de pecar.

Para o cristão é um privilégio passar por este tipo de tentação ou 
provação, pois quando Deus a permite o objetivo é produzir algum 
resultado em nós. Veja o que diz Tiago no primeiro capítulo de sua 
carta: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de 
passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua 
fé produz perseverança” (Tg 1:2-4).

Pedro, o mesmo que foi reprovado, escreveu mais tarde exortando os 
cristãos a se alegrarem naquilo que receberam em Cristo, ainda que 
no momento presente, e por um pouco de tempo, fossem “entristecidos 
por todo tipo de provação”. Ele explica a razão desses testes ou 
provas que Deus permite: “Para que fique comprovado que a fé que 
vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que 
refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, 
quando Jesus Cristo for revelado” (1 Pe 1:6-7).

Mesmo assim devemos rogar ao Pai que não nos deixe tirar zero nas provas, 
e que ele possa transformar essas experiências amargas em benefício para 
nossas almas e em louvor para a glória de Deus. O Senhor Jesus podia 
muito bem ficar no deserto quarenta dias sem comer e beber sendo testado 
pelo diabo por ser o Filho de Deus, ao mesmo tempo Deus e Homem. Se ele, 
que nunca falhou e nem poderia falhar em razão de sua natureza divina, 
andou aqui em total dependência do Pai, quanto mais nós devemos imitá-lo, 
buscando em Deus a capacidade para tirarmos boas notas nas provas pelas 
quais devemos passar.

Este é um modelo perfeito de oração, pois cobre tudo. Primeiro vimos os 
pontos relacionados a Deus, como o privilégio de chamá-lo de Pai, o 
reconhecimento de sua glória e santidade por ele ser quem é, e a 
expectativa dos novos céus e nova terra no final da história. Depois 
falamos de nossas necessidades físicas e espirituais, ao pedirmos 
pelo pão cotidiano -- e não mensal ou anual --, reconhecermos quem é 
a fonte de nosso perdão e, finalmente, buscarmos em Deus a capacidade 
para não falharmos nos testes ou provações. Mas lembre-se que 
este modelo de oração foi dado antes que os discípulos tivessem 
recebido o Espírito Santo e desfrutassem da certeza do perdão de 
pecados.
Texto Original - Mario Persona - https://www.3minutos.net/

Nenhum comentário:

Postar um comentário