segunda-feira, 6 de julho de 2020

Perdão.

A ideia de perdão nos faz pensar em dívida. Quando alguém empresta de 
você e não paga, lhe ofende ou quebra um copo em sua casa, sua reação 
natural é: “Vai pagar!”. Quando você percebe que nunca irá receber, 
passa a desejar que o outro pague de outro modo, ficando na miséria, 
sendo difamado ou tendo seus copos quebrados. Mas perdoar não é apenas 
abrir mão de receber, e sim pagar pelo devedor, trabalhando duro para 
repor o dinheiro, reconstruindo a própria reputação ou comprando um 
novo copo.

O perdão pode ter um custo material ou emocional, mas é o único meio 
de se livrar da dívida que passou a ser sua. Perdão que guarda rancor 
não é perdão. É como depositar o pagamento em juízo, ou seja, você paga, 
mas o outro não recebe. Fazer o outro pagar denegrindo a imagem dele na 
sociedade ou o demonizando em pensamento, também não é perdoar. 
O verdadeiro perdão leva você a orar e interceder por seu adversário.

Perdão gerado por um sentimento de superioridade não é perdão. Falo 
daquele que trata o ofensor com desdém e se considera superior dizendo 
a si mesmo: “Pobre alma pouco evoluída! Eu jamais faria algo assim”. 
Se você pensa desta maneira é porque não sabe que também é um devedor 
necessitado do perdão de Deus. A diferença é que, se o seu devedor tem 
como pagar por seu copo quebrado, você jamais conseguirá pagar a dívida 
dos pecados que pratica contra Deus, a qual se acumula a cada dia.

Se você entendeu que perdoar seu ofensor é você mesmo pagar o preço irá 
entender que, para nos perdoar, Deus precisou entregar o seu próprio 
Filho em pagamento. Jesus foi julgado em nosso lugar e considerado 
culpado, pagando na cruz por nossos pecados como se fossem dele. 
Você não será capaz de perdoar se não assumir a perda, o sofrimento e 
a dor.

No Salmo 69:4 é Jesus quem diz, profeticamente: “Sou forçado a devolver 
o que não roubei”. Isaías também profetizou: “O Senhor fez cair sobre 
ele [Jesus] a iniquidade de todos nós... porquanto ele derramou sua vida 
até à morte, e foi contado entre os transgressores. Pois ele carregou o 
pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores” (Is 53:6-12)
“Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: ‘Sobre mim 
caíram as injúrias dos que te injuriavam’.” (Rm 15:3).
Texto Original: Mario Persona - https://www.3minutos.net/

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