sábado, 9 de maio de 2020

As dez virgens

       Enquanto a primeira parte do capítulo 24 de Mateus trata da vinda do 
Messias e Rei para Israel no final da grande tribulação, o capítulo 25 
fala de sua vinda em relação aos que professam crer nele, tanto falsos 
como verdadeiros. Se você se lembra de tudo o que vimos sobre o Reino 
dos céus, verá que esta parábola também começa se referindo a esse 
Reino de um Rei que está ausente.

       As dez virgens não representam a Igreja no singular, como a noiva, 
pois isso só seria revelado mais tarde ao apóstolo Paulo. 
       Não representam tampouco um casamento poligâmico. A noiva, única e 
perfeita, formada apenas por aqueles que são genuínos, não aparece 
aqui como tal. As dez virgens representam o testemunho individual 
daqueles que professam crer em Jesus. Todas elas têm uma lamparina, 
dessas que funcionam com óleo ou azeite. Na Bíblia, a candeia ou 
lamparina aparece como símbolo de testemunho.

       Você se lembra do capítulo 5, quando Jesus chamou os discípulos de 
"luz do mundo"? Pois é, quem acendesse uma candeia devia colocá-la 
num lugar alto para iluminar toda a casa, e não debaixo de uma vasilha. 
       Assim também deveria brilhar a luz dos que professam crer em Jesus, 
para que os homens vissem e dessem glória a Deus. Mas, das dez virgens, 
cinco são insensatas e não têm azeite, e cinco são prudentes, e suas 
lâmpadas estão abastecidas.

       Na Bíblia, o azeite aparece como figura do Espírito Santo, portanto 
temos aqui uma mistura de pessoas com e sem o combustível de um 
       testemunho real. Apesar disso, todas caem no sono da indiferença. 
       Tanto as prudentes como as insensatas sabiam da vinda do noivo, mas 
perderam a expectativa disso ocorrer a qualquer momento. Acaso não 
foi o que aconteceu com a cristandade como um todo?

       Não sei se você sabe, mas nestes dois mil anos de história nem sempre 
os cristãos esperaram pela vinda de Jesus. A grande maioria sempre 
acreditou que se encontrar com Jesus significava morrer, e se você 
chegasse para alguém assim e dissesse que Jesus poderia vir naquele 
exato momento, é bem provável que veria uma expressão de horror na 
cara da pessoa.

       Outros achavam que a vinda de Cristo para a Igreja seria precedida 
da tribulação, portanto não podia acontecer num piscar de olhos. 
       Essa ideia também excluía Israel e só contemplava a Igreja. 
       Não precisou muito para os cristãos passarem a enxergar os judeus 
como descartáveis. Procure na Internet um manifesto escrito por 
Martinho Lutero com o título "Sobre os judeus e suas mentiras" e 
você ficará surpreso com o pensamento que era corrente em sua época.
Texto Original: Mario Persona - https://www.3minutos.net/

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