quarta-feira, 27 de maio de 2020

Pai Nosso.

Orar é se reconhecer fraco, incapaz e dependente de Deus. Nada disso 
agrada o ser humano que desde criança é ensinado a ser independente e, 
quando cresce, consome livros de auto-ajuda. Portanto, a oração é a 
negação da auto-suficiência.

Jesus ensina que orar não é ficar repetindo palavras como fazem os pagãos. 
Não é entoar sons hipnóticos como os mantras tibetanos ou usar de palavras 
mágicas ou fórmulas secretas para liberar algum tipo de energia cósmica. 
A oração não é Shazam ou o Abracadabra do cristão. Orar é comungar com 
Deus nossas necessidades, sentar-se ao lado dele e conversar sobre elas.

Mas por que orar se Deus sabe de antemão o que precisamos ou vamos pedir? 
Porque Ele quer enxergar dependência em nós e porque gosta quando 
conversamos com Ele. Orar é fazer o caminho inverso do homem no Éden, 
que quis ser independente de Deus, auto-suficiente e dono de seu próprio 
nariz. A oração nos põe de volta em nosso devido lugar.

Antes de ensinar a oração conhecida como "Pai Nosso" Jesus condenou a 
mera repetição de palavras, portanto o "Pai Nosso" não é uma oração 
para ser repetida. Trata-se de um modelo de como devemos orar. Não é 
"o que", mas "o como".

Primeiro vem o reconhecimento da posição que Deus ocupa, no céu, acima 
de nós, e de sua santidade, que significa separação do mal. Equivale 
reconhecer que os nossos interesses particulares podem não ser os 
interesses de Deus, que vê o cenário todo de cima e sabe o que é 
melhor para nós.

Daí o "venha a nós o teu reino" e não o contrário. Os interesses do 
céu devem prevalecer sobre os da terra. É só após reconhecermos o que 
Deus é, e que ele tem a primazia, que vêm os pedidos, que são basicamente 
para o suprimento das necessidades físicas e de proteção, intercalados 
com um pedido de perdão.

Esse perdão não é o perdão judicial de nossos pecados, que recebemos 
por graça e pela fé em Jesus. Aqui é um perdão parental, relativo. 
É a condição momentânea para recebermos o que pedimos.

Mas como perdoar? Com o perdão de quem já foi perdoado. Aí sim, o perdão 
judicial, absoluto. Para entender melhor isso, veja como o apóstolo Paulo 
coloca o perdão em sua carta aos colossenses: "Assim como Cristo perdoou 
vocês, perdoem também os outros". Do ponto de vista judicial, só consigo 
perdoar porque fui perdoado.

Você já foi perdoado de todos os seus pecados? Esse perdão pleno e 
absoluto você só obtém porque Jesus pagou o preço em seu lugar morrendo 
na cruz e ressuscitando. Deus quer perdoar. 
Esta é a primeira oração que você deve fazer.
Texto Original: Mario Persona - https://www.3minutos.net/

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