Porque Moisés entrou na terra prometida?
Em Êxodo Deus manda Moisés FERIR a rocha para dar de beber
ao povo de Israel. Mas em Números Deus manda Moisés FALAR à
rocha, no entanto ele fere a rocha e é repreendido por Deus. Como
entender? Vamos à passagem de (Números 17):
"E o Senhor falou a Moisés dizendo: Toma a vara, e ajunta a
congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante
os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da
rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais.
Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha
ordenado. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da
rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura
tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a
sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu
muita água; e bebeu a congregação e os seus animais.
E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes
em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel,
por isso não introduzireis esta congregação na terra que
lhes tenho dado." (Nm 20:7-12).
A vara que Moisés tomou era a que estava diante do Senhor,
ou seja, a vara de Aarão que havia florescido. Não era a
vara de Moisés, com a qual ele abrira o Mar Vermelho e o
rio Jordão e fizera outros sinais.
A vara de Moisés representava juízo; a vara de Aarão
representava graça, pois era uma vara de madeira morta que
floresceu. A vara de Aarão você encontra em Números 17:1-10.
"Então falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de
Israel, e toma deles uma vara para cada casa paterna de todos
os seus príncipes, segundo as casas de seus pais, doze varas;
e escreverás o nome de cada um sobre a sua vara. Porém o nome
de Arão escreverás sobre a vara de Levi; porque cada cabeça da
casa de seus pais terá uma vara. E as porás na tenda da
congregação, perante o testemunho, onde eu virei a vós.
E será que a vara do homem que eu tiver escolhido florescerá;
assim farei cessar as murmurações dos filhos de Israel contra
mim, com que murmuram contra vós. Falou, pois, Moisés aos filhos
de Israel; e todos os seus príncipes deram-lhe cada um uma vara,
para cada príncipe uma vara, segundo as casas de seus pais, doze
varas; e a vara de Arão estava entre as deles. E Moisés pôs estas
varas perante o Senhor na tenda do testemunho. Sucedeu, pois, que
no dia seguinte Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que
a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira
flores e brotara renovos e dera amêndoas. Então Moisés tirou todas
as varas de diante do SENHOR a todos os filhos de Israel; e eles
o viram, e tomaram cada um a sua vara. Então o SENHOR disse a Moisés:
Torna a pôr a vara de Arão perante o testemunho, para que se
guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim farás acabar as
suas murmurações contra mim, e não morrerão." (Nm 17:1-10).
Portanto, naquele momento em Números e usando a vara da graça,
Moisés deveria "falar" à rocha para dar sua água. Assim é como
a graça se manifesta.
Repare que aqui em Números 20 "chegando os filhos de Israel,
toda a congregação ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo
ficou em Cades... e não havia água para a congregação" (Nm 20:1-2).
Este episódio difere daquele de Êxodo 17:1-16 quando o povo estava
acampado em Refidim e Deus ordenou que Moisés tomasse sua própria
vara — e não a vara de Aarão — e ferisse a rocha. Daquela vez Deus
disse que ele ferisse a rocha porque esta representava Cristo sendo
ferido para que dele saísse água. Em 1 Coríntios Paulo explica que
a rocha que os seguia era Cristo. "E beberam todos de uma mesma
bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia;
e a pedra era Cristo." (1 Co 10:4).
Portanto temos dois episódios distintos: um em que Moisés deveria
ferir a rocha com sua vara, e outro em que Moisés deveria tomar a
vara de Aarão e falar à rocha. Cristo só precisou ser ferido uma
vez pelo juízo de Deus para trazer salvação. Moisés não entendeu
isso e feriu a rocha uma segunda vez, duas vezes, desobedecendo
assim a ordem expressa de Deus de falar à rocha. Um momento
representava o juízo, o outro representava a graça. Cristo, por
sua morte na cruz, foi ferido uma vez para nos justificar "pelo
seu sangue" e nos salvar. Mas o mesmo Cristo é visto em Romanos
agora nos salvando, a nós que já cremos nele, não por sua morte,
mas por sua vida.
"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu
por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido
justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela
morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados,
seremos salvos pela sua vida." (Rm 5:8-10).
Este "seremos salvos pela sua vida" nos fala de como ele está hoje
no céu na presença do Pai e exercendo seu sacerdócio em nosso favor.
Por termos um Salvador vivo no céu podemos descansar no fato de
estarmos sendo salvos — no sentido de sermos mantidos a salvo do mal
por sua intercessão. Um morto não poderia interceder por nós, mas
por sua morte Cristo nos salvou. Então um Cristo ressurreto e vivo
hoje nos salva por meio de sua vida e ação intercessora diante de Deus.
Texto Original: Mario Persona - https://www.respondi.com.br/
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