O que é o Sheol (Seol), segundo a Bíblia?
A palavra Sheol ou Seol apresenta significados variáveis na Bíblia.
Em alguns contextos aparece como: morte; sepultura, profundezas, pó,
poço, cova, buraco, mundo dos mortos ou inferno. Algumas traduções
bíblicas mantém a sua forma no original hebraico, o que torna pouco
preciso o seu significado literal na tradução para outras línguas.
Ocorrências de Sheol na Bíblia
No Antigo Testamento o termo Sheol aparece 65 vezes e é traduzida de
formas diferentes, como por exemplo:
Inferno: (Deuteronômio 32:22)
Sepultura: (Gênesis 37:35)
Pó: (Salmos 9:17)
Ao estudar as ocorrências de Sheol na Bíblia, precisamos estar atentos
ao contexto em que a passagem está inserida já que são muitas as
possibilidades de interpretação dessa palavra. Considerando o texto e
seu contexto, será mais fácil compreender qual o sentido da palavra
em conexão com outros trechos da Bíblia.
A partir de alguns versículos notamos que Sheol pode ser compreendido
a partir de alguns grupos de ideias, tais como:
Morte como condição destinada a todos seres humanos
Seu sentido muitas vezes remete à morte natural, física (Salmos 86:13),
noutros casos parece expressar a ideia da morte como afastamento
espiritual de Deus (Oséias 13:14).
A sepultura, buraco, poço, como lugar físico onde os mortos são sepultados
Muitas vezes a sepultura/cova aparece como o lugar específico onde os
corpos sem vida são depositados. Em alguns casos aparece como figura
para morte. (Salmos 16:10), (Isaias 28:15).
- O mundo dos mortos, lugar ocupado pelas almas, espaço dos mortos
Parece ser um espaço destinado a todos que morrem, onde aguardam o
julgamento de Deus. Mesmo os justificados pela fé, como Jacó,
consideravam ir para este lugar. (Gênesis 37:35)
- Terra de sombras e escuridão, lugar de inatividade e tristeza, sem vida
Em alguns textos Sheol é apresentado como o lugar de trevas
(Salmos 143:3), onde não há atividade proveitosa (Eclesiastes 9:10).
Jó o descreve como "o lugar do qual não se tem mais retorno, terra das
sombras e densas trevas, a terra tenebrosa como a noite, terra de
trevas e de caos onde até mesmo a luz é escuridão" (Jó 10:21-22).
- Lugar de silêncio, ausência de comunicação
O ser humano tem em vida a oportunidade para expressar a Deus o seu amor,
louvor, ações, arrependimento e fidelidade. Depois da morte, no Sheol,
parece não haver mais esta possibilidade. (Salmos 143:3), (Salmos 115:17)
- Lugar de estadia não permanente para os justos
No imaginário judaico parece haver uma esperança (compreensão) que o
Sheol não seria permanente para os fiéis, mas uma condição passageira
ou intermediária, até estarem eternamente com o Seu Deus. (Salmos 49:14-15)
- Lugar de punição ou sofrimento para os ímpios, inferno
Em alguns textos, parece haver a ideia de que a justiça será aplicada
através do Sheol (Jó 24:19), que os maus receberão as consequências dos
seus atos com a sua morte e no pós morte. (Deuteronômio 32:22)
- Deus mantém o Seu total controle e domínio sobre o Sheol
Deus é soberano sobre tudo e todos, no Céu, na terra, no Sheol e em
todo o universo. É Ele quem controla a vida e a morte. Tem todo o domínio,
inclusive no Sheol. Diferentemente do que muitos acreditam, que seria
satanás o dominador da morte e do inferno, é Deus o Senhor de todo o
universo que domina sobre tudo. (Jó 26:6), (Salmos 139:8)
Na tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, a palavra Sheol
foi traduzida como “Hades”, que também aparece no Novo Testamento como
inferno.
É importante reconhecer todas essas possibilidades de interpretação e
usá-las em benefício da compreensão e da aplicação desse ensino para as
nossas vidas.
O Sheol aparece no Novo Testamento?
Sendo Sheol uma palavra hebraica, ela não ocorre no Novo Testamento que
foi escrito em grego e aramaico. No entanto, a sua correspondente no
grego é a palavra “Hades”. Aqui aparecem também outras palavras como
Gehenna e Tártaro com significado aproximados.
Então qual a diferença entre Hades, e Gehenna e Tártaro?
Hades (grego): é o lugar onde não se vê, considerado o mundo invisível.
Apresenta significado semelhante a Sheol: sepultura, terra das sombras,
das trevas, a morada dos mortos, mundo dos mortos, inferno. Pode ser
considerado como o lugar onde os mortos aguardam o Juízo final. Hades
aparece 10 vezes no NT em: Mateus 11:23; 16:18; Lucas 16:23;
Atos 2: 27,31; Apocalipse 1:18; 6:8; 20:13,14 (I Cor. 15:55).
Gehenna (grego): Origina-se do hebraico Ge' Ben-Hinnom, vale dos filhos
de Hinom, ou vale de Hinom somente, localizado nas imediações de
Jerusalém. Era um lugar conhecido onde se faziam sacrifícios abomináveis
de crianças recém-nascidas no fogo ao ídolo pagão Moloque. Posteriormente,
este local tornou-se um grande depósito de lixo da cidade de Jerusalém,
onde eram jogados cadáveres de pessoas (criminosas, malfeitores) e de
animais, além de todo tipo de imundície para ser queimado em fogo. As
chamas eram mantidas constantemente acesas com adição de enxofre. Este
termo foi usado por Jesus como alegoria para o lugar de castigo, de
tormento e punição eterna. Ocorre 12 vezes no Novo Testamento
(Mateus 5:22,29,30; 10:28; 18:9; 23:15,33; Marcos 9:43,45,47;
Lucas 12:5; Tiago 3:6).
Tártaro (grego)- Palavra originada do grego, significava o lugar mais
baixo do Hades. Para os gregos era considerado o pior lugar, no abismo
do inferno onde os piores inimigos e maus recebiam o castigo e punição
eterna pelos seus delitos. Ocorre uma única vez no Novo Testamento:
(II Pedro 2:4)
Jesus conta uma história sobre o inferno:
O rico e Lázaro é a parábola mais conhecida sobre o inferno no Novo
Testamento. Nesta história Jesus ilustra ensinamentos importantes
sobre o problema da avareza, da realidade da morte, da existência
do inferno e de um lugar de descanso depois da morte. De acordo com
o que lemos, a morte física acontece a todos os tipos de pessoas,
boas, más, ricas ou pobres.
Mas a situação após a morte é diferente, de acordo com o modo de
vida daquele que morreu. Segundo o texto (Lucas 16:19-31), o rico
vivia esbanjando riquezas e desprezava aquele que sofria bem perto
de si. Enquanto Lázaro, mendigo, faminto e doente padecia à porta
daquele homem rico.
Na sequência, ambos morrem, o rico vai para o inferno onde é atormentado
e, Lázaro vai para o seio de Abraão, onde é consolado. No fim, há um
diálogo entre o homem rico e Abraão. Através desta conversa podemos
compreender alguns ensinamentos:
1 - A vida não termina com a morte aqui nesta terra. Há uma existência
consciente depois da morte física.
2 - Não há possibilidade de contato ou comunicação dos vivos com os que
já morreram. O rico desejava voltar para avisar aos seus irmãos sobre
o inferno mas, é impossível.
3 - Haverá consolo e conforto para alguns após a morte, assim como haverá
tormento e castigo para outros.
4 - O inferno é real. Toda a Bíblia (Antigo e Novo Testamento) alerta para
esta realidade de tormento e punição. Abraão diz que os irmãos tinham
que ouvir "Moisés e os profetas", i.e., as Escrituras do AT.
5 - A riqueza, poder, status, religião ou influência nesta vida não poderão
garantir benefícios depois da morte.
Embora ainda possam haver muitos pormenores ou outras abordagens
específicas sobre o inferno e sobre a vida após da morte, vemos que a
Bíblia relata o suficiente para estarmos conscientes desta realidade.
Há muita especulação e muitos mitos sobre o inferno em que não há
sustentação bíblica. Devemos compreender que a Bíblia não apresenta um
tratado específico sobre o Sheol, Hades, Gehenna ou Tártaro. O objetivo
central das Escrituras não é esgotar este assunto mas sim, apresentar
a Cristo o Salvador, alertando para o perigo da condenação.
A Palavra de Deus traz a todos boas notícias de salvação e a possibilidade
de fuga da ira vindoura. Temos então em Jesus Cristo, o tema central da
Bíblia, a resposta e o caminho que conduz a Deus e livra do inferno e da
condenação eterna.
Mas a decisão, como já sabemos, é pessoal. E tem que ser feita nesta
vida, antes que seja tarde demais.
Texto Original: https://www.respostas.com.br/
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